EUA e China brigam um contra o outro na OMC

Campanha eleitoral americana leva Barack Obama a questionar subsídios e barreiras de chineses, que revidam com queixa contra barreiras americanas

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2012 | 03h09

A campanha eleitoral americana faz eclodir a disputa comercial entre Estados Unidos e China. Ontem, Pequim e Washington recorreram à Organização Mundial do Comércio (OMC) para abrir processos um contra o outro.

Barack Obama fez questão de anunciar que estava questionando a China pelos subsídios ao setor automotivo que estariam prejudicando a indústria americana e ainda abriu um segundo processo por causa das barreiras aos carros americanos. Já Pequim abriu um caso contra as barreiras a seus produtos automotivos, siderúrgicos e têxteis.

As duas maiores economias do mundo vêm trocando farpas há meses e, diante de uma crise internacional que ameaça também desacelerar a China, a tensão comercial ganhou novos contornos. Se não bastasse, Obama precisa dar demonstração clara ao setor automotivo e seus trabalhadores de que está disposto a defender seus interesses.

Com os três casos anunciados ontem, já são cinco os processos envolvendo os dois países. Três deles iniciados pelos americanos e dois pelos chineses.

Obama fez o anúncio ontem em visita a Ohio, um Estado altamente dependente do setor automotivo e que, ao mesmo tempo, é peça-chave nas eleições. O anúncio em Ohio não ocorreu por acaso. O setor emprega 54 mil pessoas no Estado. Somados, os trabalhadores da siderurgia, alumínio e fabricação de carros representariam 12% de todos os trabalhadores do Estado.

A queixa da Casa Branca é de que Pequim subsidia de forma ilegal seus fabricantes em 12 zonas especiais de exportação e num valor de pelo menos US$ 1 bilhão. Graças ao apoio estatal, os fabricantes chineses estariam obtendo mercado cada vez mais significativo no mundo, afetando as exportações americanas.

"Esses subsídios ilegais incentivam empresas a transferir postos de trabalho para o exterior", disse Obama. "Esses subsídios afetam diretamente trabalhadores na linha de produção em Ohio e Michigan e por todo o Centro-Oeste. Não está certo. É contra a lei e não vamos permitir que fiquem assim", completou.

Subsidiar setores industriais é considerado um ato ilegal na OMC, ainda que países emergentes acusem os países ricos de terem montado sua base industrial na ação de políticas públicas há décadas. Os subsídios chineses também iriam para o setor de autopeças. O governo americano pediu ainda a abertura de um caso contra tarifas de importação impostas pela China contra carros americanos.

Com seu rival Mitt Romney acusando-o de ser suave demais com os chineses, Obama acusou Pequim, já em julho, de ter provocado perdas de US$ 3 bilhões à economia americana. E também insiste que foi ele quem aprovou o plano de resgate para a General Motors, projeto que era rejeitado por Romney.

Contra-ataque. Mas a China não deu espaço para Obama comemorar. Horas antes do discurso do presidente americano, Pequim anunciou que estava apresentando uma queixa por causa das barreiras dos Estados Unidos à venda de seus pneus, produtos de aço, minérios, têxteis e uma gama de até 30 setores. "Esperamos que os EUA possam modificar esses erros e lidar de forma adequada com as preocupações chinesas", disse Shen Danyang, porta-voz do Ministério do Comércio, indicando que Pequim vai "defender seus direitos legítimos".

Segundo Pequim, a disputa afeta 24 tipos de pneus, num valor de US$ 7,2 bilhões, além de produtos químicos e pisos de madeira, entre outros produtos. Os chineses alegam que as medidas antidumping impostas pelos americanos são ilegais.

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