Nacho Doce/Reuters
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Trump anuncia primeira fase de acordo comercial com a China

Como parte da negociação, país asiático concordaria com algumas concessões agrícolas e os EUA forneceriam alívio tarifário

Beatriz Bulla, correspondente, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2019 | 15h09

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira, 11, que os negociadores americanos chegaram a um “substancial” acordo com a China. Com isso, os dois países concordam em uma trégua na guerra comercial travada entre as duas potências econômicas e os EUA suspenderam a imposição de novas tarifas, agendada inicialmente para o próximo dia 15.

Durante os últimos dois dias, a delegação chinesa, liderada pelo vice-premiê Liu He, esteve em Washington para negociar o acordo, anunciado por Trump nesta tarde. Segundo o presidente dos EUA, esta é a “fase um” do acordo, que ainda levará semanas para ser colocada no papel e pode ser assinada em novembro, no Chile.

A China concorda em comprar entre US$ 40 bilhões e US$ 50 bilhões de produtos agrícolas dos Estados Unidos. O acordo também terá disposições sobre propriedade intelectual – um dos principais argumentos dos americanos é que os chineses forçam transferência de tecnologia para o país. Do outro lado, os EUA suspendem a imposição de tarifas na casa de 30% sobre US$ 250 bilhões de produtos chineses.

Questões relacionadas à empresa Huawei não farão parte da primeira parte do acordo.

Os Estados Unidos argumentam que a China está envolvida em inúmeras práticas injustas relacionadas a tecnologia e propriedade intelectual nos EUA e têm travado uma guerra comercial com o país asiático para forçar mudanças estruturais. A praticamente um ano das eleições presidenciais, Trump tenta chegar a um acordo com os chineses sem abrir mão de sua promessa de pressão sobre a potência asiática. Parte da base eleitoral do republicano sofreu i impacto pela imposição de tarifas às importações chineses, como os produtores de soja.

Trump afirmou que a próxima fase das negociações comerciais deve começar em breve. “É um grande acordo, que está sendo feito em partes”, disse Trump, ao receber a delegação chinesa na Casa Branca. Segundo ele, a previsão é de que o acordo seja feito em duas ou três etapas.

A queda de braço incluiu subsequentes rodadas de tarifas americanas sobre os produtos chineses, com reação do país asiático, além de tentativas de negociação muitas vezes frustradas.

Três perguntas para: Welber Barral, ex-secretário de Comércio Exterior

1.Qual o impacto dessa trégua no Brasil?

É positivo porque dá mais estabilidade ao comércio internacional, que vem caindo em grande parte por causa da guerra comercial. 

2.O fato de a China se comprometer a comprar itens agrícolas dos EUA não afeta o Brasil negativamente?

O principal impacto aí é a soja. O Brasil estava exportando mais soja com maior preço para a China por causa da guerra. O Brasil pode acabar exportando para outro país no lugar da China, por ser commodity. Mas pode ter um efeito sobre o preço para baixo. 

3.Dá para dizer que algum país saiu vencedor?

Considerando as eleições nos EUA no ano que vem, Trump vai dizer que ganhou a guerra e colocou a China de joelhos. Mas não vimos os termos do acordo ainda. O fato de a China concordar com algo pode significar uma vitória dos Estados Unidos, mas tem de analisar os detalhes do acordo, aí é que mora o diabo. Mas os termos devem ser vagos, os chineses costumam fazer assim.

 

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