EUA e corte da Espanha interrompem recuperação da Bovespa

Dados pouco inspiradores dos Estados Unidos e o corte do rating soberano da Espanha tiraram o ímpeto comprador dos investidores, que preferiram realizar lucros após duas altas fortes da Bovespa.

ALUÍSIO ALVES, REUTERS

28 de maio de 2010 | 17h47

De todo modo, as notícias foram insuficientes para produzir uma reversão abrupta dos negócios. O Ibovespa chegou a estremecer no meio da tarde, mas consumiu boa parte das perdas, fechando a sexta-feira com leve baixa de 0,23 por cento, aos 61.946 pontos.

O giro financeiro do pregão ficou em 6,84 bilhões de reais.

Para profissionais do mercado, os preços mostraram resistência às notícias negativas, indicando uma melhora parcial do humor de investidores no conjunto das notícias da semana.

"Muitas coisas positivas saíram durante a semana, como o compromisso da China de manter bônus da zona do euro e alguns dados positivos dos Estados Unidos", disse Pedro Galdi, analista da SLW Corretora.

Segundo ele, muitos gestores agiram na ponta de compra para tentar aliviar as fortes perdas no apagar das luzes de maio. Mas o movimento foi atropelado pelas notícias do dia.

A que mais pesou foi o anúncio de que a Fitch rebaixou em um degrau a nota soberana da Espanha, afirmando que a recuperação econômica do país será mais lenta devido às medidas de austeridade adotadas recentemente .

Mais cedo, o anúncio de que a confiança do consumidor dos EUA cresceu um pouco acima das expectativas em maio chegou a dar algum combustível para as ações. Mas a informação de que o gasto pessoal no país ficou estável em abril pesou mais, ao frustrar economistas que esperavam alta.

Wall Street, que fechou maio antecipadamente devido a um feriado na próxima segunda-feira, viu seus principais índices com baixa ao redor de 1 por cento, perpetrando o pior mês desde fevereiro de 2009, em meio à intensificação da crise fiscal europeia.

Na bolsa paulista, quedas pontuais foram o fiel da balança para o Ibovespa, que vai para a última sessão de maio com baixa mensal acumulada de 8,3 por cento.

DESTAQUES

Vivo caiu 3,3 por cento, a 49,50 reais, após a Portugal Telecom negar que tenha feito uma oferta pela participação da Telefónica na empresa brasileira. No começo do mês, a Portugal Telecom rejeitou a oferta de 5,7 bilhões de euros da Telefónica por sua participação na Vivo.

Outro desempenho ruim foi o da JBS, que recuou 3,4 por cento, para 7,18 reais, após a Rússia ter anunciado na véspera a suspensão da importação de carne bovina de alguns frigoríficos brasileiros, incluindo três da companhia.

Fibria, que vinha de um salto de 7 por cento na véspera, foi alvejada por realização de lucros e perdeu 3,5 por cento, a 28,99 reais.

A performance do Ibovespa não foi pior devido ao vigor de algumas ações de commodities, mesmo com a queda desses produtos no exterior. O papel preferencial da Petrobras subiu 1,4 por cento, a 28,20 reais.

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