EUA e UE abrem caso conjunto contra China na OMC

Os Estados Unidos e a União Européia (UE) abrem o primeiro caso conjunto contra a China na Organização Mundial do Comércio (OMC). Nesta quinta-feira, Washington e Bruxelas anunciaram que iniciaram um processo legal contra os chineses diante das barreiras impostas por Pequim no comércio de autopeças. Em um primeiro momento, os dois países entrarão em consultas para tentar resolver o problema sem ter de apelar aos árbitros da OMC. Mas em 90% dos casos iniciados, as consultas não conseguem resolver as diferenças e os juízes acabam sendo chamados para tentar dar um veredicto. "Na condição de um parceiro comercial maduro, a China deve se responsabilizar por suas ações", afirmou o representante da Casa Branca para o Comércio, Rob Portman. Segundo ele, Washington já tentou dar uma solução ao caso fora da OMC, mas a iniciativa não foi acatada pelos chineses. Segundo a queixa de americanos e europeus, as barreiras existentes na China para a importação de autopeças impedem que as montadores e fábricas instaladas no país asiático usem material produzido fora do país. Recentemente, a China adotou leis que acabam sobretaxando autopeças para carros que não cumpram um valor mínimo exigido de conteúdo local. TaxaA importação de uma peça para um veículo que contenha um excesso de partes produzidas no exterior sofre uma taxa de 28%. Já os demais veículos podem importar as peças com impostos que variam entre 10% e 14%. A lei tem como finalidade forçar empresas de autopeças a transferirem suas produções para a China, o que representaria investimentos e criação de postos de trabalho para o país. Para Pequim, a taxa tem como objetivo evitar que todo um carro seja importado e apenas montado na China. "Na realidade, a lei chinesa é discriminatória contra os Estados Unidos e outros países em favor de sua própria indústria", alegam os americanos. Washington lembra que os chineses se comprometeram a evitar tais exigências de conteúdo local em suas leis. Para o comissário de Comércio da UE, Peter Mandelson, os países devem ainda tentar resolver o caso de forma "amigável" antes de passar aos tribunais. InteresseO interesse dos americanos e europeus pelo acesso ao mercado chinês ocorre diante do dinamismo do setor automotivo no país asiático. A China já é o segundo maior produtor de automóveis do mundo, superada apenas pelos Estados Unidos. As empresas da Europa representam cerca de 25% da produção de veículos na China.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.