EUA e UE voltam a derrubar mercados

Impasse na redução do déficit americano e preocupações com a Europa levam turbulência às bolsas; e o dólar volta a subir, atingindo R$ 1,806

O Estado de S.Paulo

22 de novembro de 2011 | 03h02

O impasse nos Estados Unidos sobre os planos para redução do déficit do país somou-se às preocupações com a Europa e, juntos, voltaram a derrubar as principais bolsas internacionais. A piora do ambiente econômico global se refletiu na cotação do dólar, que subiu 1,29% e bateu nos R$ 1,806, rompendo o limite de R$ 1,80 pela primeira vez desde 20 de outubro, quando a máxima do pregão foi de R$ 1,802.

Ontem à noite o supercomitê bipartidário dos EUA, encarregado de reduzir o déficit orçamentário americano em pelo menos US$ 1,2 trilhão nos próximos dez anos, admitiu que fracassou na tentativa de obter consenso.

Os investidores temem que o resultado do debate provoque mais um rebaixamento na nota de classificação de risco dos Estados Unidos. Após o comunicado do supercomitê, a Standard & Poor's disse que o rating de crédito dos EUA não será afetado, pelo menos enquanto o Congresso seguir os cortes acertados em agosto. Já a Fitch Ratings disse que espera concluir sua revisão da nota de crédito americana até o fim deste mês.

As bolsas americanas refletiram o impasse. O Dow Jones caiu 2,11%, o menor nível desde 20 de outubro. O Nasdaq recuou 1,92% e o S&P 500 teve um declínio de 1,86%. Os dois índices registraram a menor pontuação de fechamento desde 7 de outubro. Em São Paulo, o Ibovespa fechou o pregão com perda de 0,79%, aos 56.284,59 pontos.

A pressão sobre o déficit americano e a crise das dívidas europeias ajudaram a elevar o dólar. Moedas de outros países emergentes ou com economia ligada a commodities, como o peso mexicano e o dólar australiano, também se desvalorizaram em mais de 1% por causa da maior aversão ao risco no mercado global.

Europa. A esperada vitória do Partido Popular na Espanha sobre os socialistas foi insuficiente para acalmar os investidores. A mudança não esconde os sérios problemas econômicos do país, e os títulos do governo espanhol seguiram espelhando isso ontem de manhã, com a taxa de retorno ao investidor em alta, cedendo apenas após novas compras do Banco Central Europeu.

Além da Espanha, a crise de dívida continuou provocando receios na Europa. Segundo a agência Moody's, a perspectiva para o crescimento econômico e a crise de confiança na zona do euro são "fatores de risco importantes" para a França. E, segundo a agência, os riscos para o sistema financeiro alemão aumentaram "significativamente". Não bastasse isso, a Hungria entrou em cena, pedindo assistência financeira ao Fundo Monetário Internacional e à União Europeia.

O principal índice das ações europeias, o FTS Eurofirst 300, fechou em baixa de 3,11%, menor nível desde 5 de outubro. Na Bolsa de Londres, o recuo foi de 2,62%. Em Frankfurt, o DAX teve queda de 3,35% e, em Paris, o índice CAC-40 caiu 3,41%. Milão, Madri e Lisboa também apresentaram desvalorização, de 4,74%, 3,48% e 2,08%, respectivamente. / AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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