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EUA elevam previsão de déficit no orçamento em quase US$ 2 trilhões

Valor passa de US$ 7,1 trilhões para US$ 9 trilhões em uma década e estimativa agora é que o PIB vai cair 2,8% este ano

Patrícia Campos Mello, WASHINGTON, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

Os Estados Unidos elevaram sua previsão de déficit do orçamento para US$ 9 trilhões nos próximos dez anos, ante os US$ 7,1 trilhões anteriores. Segundo o governo do presidente Barack Obama, a crise econômica é mais profunda do que se projetava, portanto a arrecadação de impostos será menor, inflando o déficit. O Escritório de Administração e Orçamento afirmou que a economia americana deve encolher 2,8% neste ano - estimativa bem mais pessimista que a anterior - e o desemprego vai chegar a um pico de 10% no ano que vem.A Casa Branca estima que o déficit do orçamento deste ano será de US$ 1,58 trilhão, o equivalente a 11,2% do Produto Interno Bruto (PIB). A única vez em que os EUA tiveram um déficit dessa magnitude foi durante a 2ª Guerra. Só para comparar, o déficit nominal no Brasil nos 12 meses terminados em junho estava em 3,19% do PIB. Mesmo assim, o número é US$ 261 bilhões menor do que o previsto em maio - porque o Tesouro agora acredita que não será necessário um segundo pacote de estímulo este ano. Apesar do buraco maior do que o esperado, o governo Obama não recuou de sua proposta ambiciosa de reforma do sistema de saúde. "O tamanho do déficit é precisamente o motivo pelo qual nós precisamos de uma reforma de saúde eficaz agora", disse Peter Orszag, diretor do Escritório de Administração e Orçamento.O Escritório Congressional de Orçamento, uma entidade independente, também divulgou sua estimativa para o déficit nos próximos dez anos, de US$ 7,14 trilhões. A Casa Branca prevê que os déficits se mantenham acima de US$ 1 trilhão por ano até 2011. Com isso, o déficit total do governo triplicaria até 2019, chegando a US$ 17,5 trilhões, ou seja, US$ 2 trilhões a mais do que a última projeção. Essa dívida equivale a 76,5% do PIB de 2019, diante dos atuais 56% do PIB. Este ano será o primeiro em que a dívida americana ultrapassará os 50% do PIB desde a 2ª Guerra (nos anos 40, chegou a 120% do PIB). No Brasil, a dívida líquida equivale a 43,1% do PIB (dados de junho). O maior motivo para a piora nos números é a recessão, mais grave do que o governo projetava. Com uma maior desaceleração da economia, aumentam os pagamentos de seguro-desemprego e outros programas sociais, enquanto diminui a arrecadação de impostos.E m maio, o governo americano estimou que o PIB encolheria 1,2% este ano e o desemprego ficaria em uma média de 8,1%. Agora, a projeção é de queda de 2,8% no PIB e média de 9,3% no desemprego em 2009. A Casa Branca espera crescimento de 2% do PIB no ano que vem e 3,8% em 2011. "As últimas projeções mostram que a taxa de desemprego não vai voltar aos níveis anteriores até 2014, mais de seis anos depois de o colapso da bolha imobiliária ter empurrado o país para uma recessão", disse Dean Baker, codiretor do Center for Economic and Policy Research. Peter Orszag, do Escritório de Administração e Orçamento, estimou que, em 2019, as despesas com juros vão responder por mais de 80% do déficit de US$ 917 bilhões projetados para aquele ano.

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