Ammar Awad/Reuters
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EUA ensaiam trégua em disputa com a China

Secretário do Tesouro disse que guerra comercial está suspensa, mas tarifas podem ser impostas se Pequim não cumprir sua parte

Gabriel Bueno da Costa e Dow Jones Newswires, O Estado de S.Paulo

21 Maio 2018 | 05h00

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, afirmou ontem que o governo do presidente Donald Trump colocou “em suspenso” a guerra comercial com a China, após dias de negociações entre as partes. Segundo ele, porém, Trump pode no futuro impor tarifas, caso Pequim não leve adiante suas promessas.

“Conseguimos progresso muito significativo com a China nas negociações comerciais”, afirmou Mnuchin, durante entrevista à emissora Fox News. Segundo ele, foi fechado um marco, uma estrutura entre as partes, que incluirá uma redução “significativa” do déficit comercial americano com a potência asiática. “Há um acordo com a China para reduzir o déficit substancialmente”, enfatizou.

Poucas horas depois da entrevista de Mnuchin, porém, o representante comercial dos EUA, Robert Lighthizer, destacou que a possibilidade de aplicação de tarifas sobre importações da China ainda não foi descartada. Em comunicado, Lighthizer disse que, conforme as negociações prossigam entre os países, os EUA ainda podem recorrer a taxação, bem como a outras ferramentas, como restrições a investimentos e regulamentações de exportação, a menos que a China faça “mudanças estruturais reais”. Segundo o representante comercial, o país “pode usar todas as suas ferramentas legais” nas negociações com o país asiático.

A declaração de Lighthizermostrou certo grau de ceticismo entre pelo menos alguns participantes do governo Trump sobre quanto progresso está sendo feito nas negociações. A China prometeu tomar medidas para melhorar os desequilíbrios comerciais no passado, mas muitas vezes enfrentou críticas de que não cumpriu essas promessas. “Fazer a China abrir seu mercado para mais exportações dos EUA é significativo, mas as questões muito mais importantes giram em torno de transferências forçadas de tecnologia, roubo cibernético e proteção de nossa inovação”, disse Lighthizer. 

Antes, Mnuchin afirmara que o governo americano deseja ter uma alta de 35% a 40% em suas vendas no setor agrícola à China apenas neste ano. No setor de energia, ele disse que a intenção é que as compras chinesas dobrem: “É possível haver alta de US$ 50 bilhões, US$ 60 bilhões em compras de energia nos próximos três a cinco anos”. Ele também disse que o secretário de Comércio, Wilbur Ross, visitará em breve a China e tratará de buscar maior abertura no setor de tecnologia. Mnuchin foi questionada pelo fato de que a China não teria aceitado a exigência de um corte de US$ 200 bilhões no déficit comercial, sem se comprometer com metas específicas. Segundo Mnuchin, o governo não divulga suas metas, que variam a cada setor da economia. 

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