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EUA estão baixando a guarda, diz inspetora do sistema financeiro

Christy Romero avalia que órgãos reguladores e o público dos EUA estão sendo complacentes com o perigo de uma nova crise, transferindo para os contribuintes o risco de um novo pacote de ajuda

Sergio Caldas, da Agência Estado,

19 de abril de 2012 | 16h50

Os órgãos reguladores e o público dos Estados Unidos estão sendo complacentes com os perigos de uma nova crise financeira, transferindo para os contribuintes o risco de um novo pacote de ajuda financeira.

"Estamos baixando nossa guarda para coisas como o perigo moral e bancos que são grandes demais para falir. E isso me preocupa muito", disse em entrevista Christy Romero, inspetora geral especial para o plano de resgate do sistema financeiro americano.

O comentário de Christy ocorre antes da apresentação de seu próximo relatório trimestral no congresso, o primeiro desde que o Senado aprovou sua indicação para inspetora do Troubled Asset Relief Program (Tarp, na sigla em inglês), como é conhecido o programa de auxílio financeiro.

Christy vai criticar o Departamento do Tesouro por focar demais nos pagamentos do Tarp, uma atitude que ela diz passar a impressão de que tudo está bem no sistema financeiro. Na semana passada, o Tesouro divulgou um documento afirmando que os contribuintes provavelmente se beneficiarão com a série de planos de ajuda lançados desde 2008. Segundo o Tesouro, a resposta do governo à crise financeira foi "bem arquitetada e cuidadosamente conduzida" e preveniu o colapso do sistema financeiro, ao mesmo tempo em que deu suporte à economia.

A inspetora concorda que os programas federais garantiram uma maior estabilidade ao sistema financeiro, mas classifica o relatório do Tesouro de confuso e potencialmente enganoso. "Se o Tesouro quer alegar o sucesso do Tarp com base em dólares, essa é uma visão microscópica. É preciso observar o quadro maior", disse. "Dinheiro que entra e dinheiro que sai não representa todo o cenário. É preciso olhar para as profundas consequências de longo prazo do Tarp".

Christy está preocupada com o perigo moral - quando instituições financeiras assumem riscos maiores porque não terão de arcar com todas as perdas potenciais de uma transação - e com os crescentes honorários dos executivos, que também podem levar a um comportamento de risco.

Ela teme ainda que os reguladores não estejam exercendo a autoridade que conquistaram com a reforma do sistema financeiro americano, garantida pela lei Dodd-Frank. Bancos que antes da crise eram conhecidos como "grandes demais para falir", por exemplo, cresceram ainda mais desde então. Além disso, os reguladores ainda não fizeram o suficiente para convencer os mercados de que o governo não vai intervir outra vez com novos pacotes de auxílio para as maiores instituições financeiras, explica Romero.

"Os mercados estão, na verdade, buscando indicações dos reguladores de que o governo não vai intervir de novo", disse a inspetora. "Não é o que estamos ouvindo. Já ouvimos falar muito de estabilidade financeira, da volta dos lucros, dos pagamentos do Tarp. E isso, certamente, leva à complacência". As informações são da Dow Jones.

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