EUA estudam limitar produção de etanol de milho

País deve substituir 15% do consumo de gasolina por álcool até 2022, o que demandaria 36 bilhões de galões

Ana Conceição, da Agência Estado,

24 de outubro de 2007 | 15h50

Preocupado com os efeitos inflacionários nos preços dos alimentos, o Congresso norte-americano estuda limitar a produção de álcool de milho a 15 bilhões de galões por ano, ou 56,77 bilhões de litros. Atualmente, o país produz cerca de 18 bilhões de litros de álcool de milho. Em palestra realizada hoje na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), em São Paulo, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, disse que o país deve substituir cerca de 15% do consumo de gasolina por álcool até 2022, o que demandaria 36 bilhões de galões, ou 136 bilhões de litros. Se todo este volume fosse produzido a partir do milho, a área plantada nos EUA teria que triplicar, nos cálculos de Marcos Jank, presidente da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), outro palestrante do dia. Veja também: Brasil é único país sem subsídio para o etanol, diz OCDEPara evitar uma forte alta dos preços do milho, que se estenderia para segmentos altamente dependentes deste insumo, como a pecuária, o governo americano está investindo pesadamente em novas tecnologias de produção de álcool, em especial no derivado de celulose. Há atualmente seis usinas experimentais de álcool de celulose nos EUA produzindo 80 milhões de litros por ano. De acordo com o embaixador, US$ 18 bilhões já foram investidos em pesquisas de novas fontes de energia e mais US$ 9 bilhões serão alocados em 2008. "O álcool é algo que veio para ficar. Os Estados Unidos vão investir na pesquisa e na produção, independente dos preços do petróleo", afirmou. Ele considera que os grandes gargalos enfrentados pelo mercado americano hoje, como a falta de infra-estrutura para distribuição, serão solucionados ao longo do tempo. "Vai levar algum tempo para termos um mercado organizado", disse, referindo-se não só aos Estados Unidos, mas a outros países.Em sua palestra na BM&F, que fez parte dos eventos relacionados à Semana do Açúcar realizada em São Paulo, Marcos Jank, da Unica, elogiou a parceria entre Brasil e Estados Unidos na pesquisa de novas fontes de álcool, mas destacou que a próxima lei agrícola norte-americana, a Farm Bill, preocupa os produtores brasileiros. A atual proposta que está sendo analisada pelo Congresso desde julho estende a vigência da tarifa sobre as importações de álcool (de US$ 0,54 por galão) até 2010, elimina as vantagens fiscais que as empresas têm hoje para reduzir o custo de importação do álcool, além de estender até 2012 o subsídio de US$ 0,10 concedido aos pequenos produtores. "Só a tarifa de importação custou ao Brasil cerca de US$ 250 milhões em 2006", disse o presidente da Unica.A Unica, aliás, inaugura ainda este mês um escritório em Washington para tratar das questões do etanol. Segundo Jank, o escritório trabalhará para atrair investimentos para a produção de álcool no Brasil, além de esforços para derrubar barreiras à entrada do produto no mercado americano, entre outros objetivos. Outros escritórios serão instalados na Ásia e na Europa com propostas similares.

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