EUA estudam taxar aço brasileiro

Em relatório divulgado ontem, Brasil aparece entre os 12 países que podem receber a sanção mais severa, com tarifa de importação de 53%

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2018 | 05h00

O governo de Donald Trump avalia a imposição de tarifas e cotas para limitar as importações de aço e alumínio em nome da “segurança nacional”. A medida pode afetar as exportações brasileiras.

 

As investigações começaram no ano passado e, em janeiro, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos submeteu ao presidente americano as alegações sobre os riscos que essas importações representam à segurança. No início deste mês, um grupo de mais de 20 siderúrgicas dos EUA pressionaram Trump para que medidas fossem tomadas em caráter de urgência. Ontem, o relatório de recomendação que foi enviado ao presidente foi divulgado.

O Brasil está na lista de 12 países que podem receber a sanção mais severa, com a colocação de uma tarifa de importação de 53%. Outra recomendação seria uma tarifa global de 24%. Agora, Trump precisa deliberar sobre as propostas.

Representantes das siderúrgicas brasileiras, como o presidente da Usiminas, Sergio Leite, o presidente do Conselho diretor e o presidente executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), Alexandre Lyra e Marco Polo de Mello Lopes, respectivamente, embarcarão entre os dias 26 e 28 deste mês aos Estados Unidos para tratar de possível aumento da tarifa sobre o aço importado do Brasil.

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O presidente executivo do IABr, Marco Polo de Mello Lopes, afirma que essa segunda missão do setor aos Estados Unidos tem na pauta reuniões na Associação Americana de Minério de Ferro e Aço (AISI, na sigla em inglês) e ainda na Associação Americana do Carvão (ACC). O ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviço Marco Jorge, por sua vez, se reunirá com o Secretário de Comércio Americano, Wilbur Ross.

“Nossa expectativa é mostrar que o Brasil não faz parte desse problema, mas sim parte da solução. Cerca de 80% da exportação brasileira de aço aos Estados Unidos é de semi-acabados, ou seja, é um material usado pela própria indústria americana, é uma complementaridade. Não estamos indo para dizer que a medida não deve existir, mas que o Brasil não deve ser incluído”, afirma Mello Lopes. O presidente do IABr diz ainda que o Brasil é importador de carvão e que os EUA é um dos principais fornecedores da matéria-prima ao País.

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Donald Trump tem até abril para decidir se e como restringirá as importações sob a seção 232 da legislação comercial de 1962, que dá ao presidente o poder de impor tarifas e cotas se ele considerar que algumas importações ameaçam a segurança nacional.

A decisão é relevante para as siderúrgicas brasileiras. Em tempos de mercado doméstico menos aquecido, CSN e Usiminas passaram a destinar parte de seus volumes de produção para exportação, tendo os Estados Unidos como um de seus destinos. A Ternium, que recentemente comprou a CSA, vende parte de sua produção de placas para os EUA.

A Gerdau, que possui forte presença nos Estados Unidos, sai beneficiada com a medida, se ela for aprovada por Trump. A siderúrgica gaúcha vem apontando que as importações no país, especialmente em aços longos, vem comprimindo suas margens.

Mercado. As ações da Gerdau ficaram entre as maiores altas do Ibovespa ontem. Segundo analistas, a empresa deve ser beneficiada pela possível imposição de tarifas para importação de aço pelo Estados Unidos.

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As ações preferenciais da Gerdau subiram 6,20%, na máxima do dia, enquanto Metalúrgica Gerdau avançou 5,68%.

Em relatório, o BTG Pactual afirma que se confirmada, a medida será positiva para a Gerdau, reforçando o problema das margens. “A companhia opera atualmente 30% abaixo de sua capacidade total de produção, e a margem Ebitda em torno de 5%”, dizem os analistas. Eles lembram que a venda de ativos tem compensado as baixas margens, mas os Estados Unidos ainda são o segundo mercado da companhia. As outras siderúrgicas fecharam próximas da estabilidade, com CSN ON ( +0,66%) e Usiminas PNA (-0,08). /COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Preste atenção

1. Donald Trump tem até abril para decidir se e como restringirá as importações com base na lei que dá ao presidente o poder de impor tarifas e cotas se ele considerar que algumas importações ameaçam a segurança nacional.

2. A decisão é relevante para as siderúrgicas brasileiras. Com o mercado doméstico mais fraco, CSN e Usiminas, por exemplo, passaram a destinar parte de sua produção para exportação, tendo os EUA como um de seus destinos.

3. Representantes das siderúrgicas brasileiras embarcarão este mês aos Estados Unidos para tratar do assunto. Segundo eles, a viagem não tem a intenção de dizer que a medida não deve existir, mas que o Brasil não deve ser incluído.

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