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EUA excluirão Brasil do SGP, insinua embaixador

Mais um sinal de que o Brasil pode ser retirado do Sistema Geral de Preferências (SGP), programa pelo qual os Estados Unidos facilitam a entrada em seu mercado de produtos exportados por países em desenvolvimento, foi dado nesta terça-feira. Dessa vez, foi o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Clifford Sobel, foi quem mandou o recado. Ele disse em apresentação à Câmara de Comércio Americana (Amcham) no Rio que o Brasil e a Índia, os dois países que mais se beneficiam do SGP, "são hoje diferentes do que eram há 20 anos". Sobel lembrou que a lei que criou o sistema vence este ano e que seu objetivo era ajudar as exportações para o mercado americano de países com indústria nascente e novas democracias. O Congresso americano está discutindo a prorrogação do SGP com eventuais modificações. O presidente da Comissão de Finanças do Senado dos Estados Unidos, Charles Grassley, já defendeu a saída de Brasil e Índia do programa.O embaixador informou que o governo americano pediu ao brasileiro que justifique por que o País deveria continuar no SGP. O Brasil terá dificuldade para isso, avalia o presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), embaixador José Botafogo Gonçalves. Para ele, o Brasil deve buscar negociação política para se manter no SGP "porque argumento puramente técnico não tem"."Acho que é cada vez mais difícil o Brasil se justificar, porque ele não tem mais indústria nascente", disse o presidente do Cebri. "O Brasil está hoje no setor de alta tecnologia, na indústria bélica... Fica difícil sustentar que nossas exportações dependem disso (SGP)", afirmou o presidente do Cebri.Segundo Botafogo, isso não quer dizer que uma eventual exclusão do Brasil do SGP não tenha impacto nas exportações brasileiras. "Nenhum exportador fica feliz com custo adicional. Ainda mais com o dólar como está", afirmou. Na palestra na Câmara de Comércio Americana, Sobel também previu que os investimentos brasileiros nos Estados Unidos vão aumentar "dramaticamente" e que ainda este ano crescerão muito. "Não só porque conversei com os presidentes da Petrobras e da Embraer", disse. Ele citou o setor de aço como um que receberá mais investimento brasileiro nos Estados Unidos este ano e disse que uma empresa brasileira participou da construção do sistema de metrô de Miami. Com a tendência cada vez maior de internacionalização das empresas brasileiras, o Brasil talvez devesse pensar em ser mais ofensivo nas negociações internacionais em relação a investimento, sugeriu o presidente do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), Marcos Jank, em seminário para jornalistas.Historicamente, a atitude do País em relação ao tema sempre foi defensiva, baseada na preocupação de o interesse de empresas de capital estrangeiro aqui instaladas não passar por cima dos nacionais. "Há 2,2 mil acordos de investimento no mundo e o Brasil nunca assinou nenhum deles", disse Jank.Agora que cada vez mais empresas brasileiras investem no exterior, o Brasil já começa a se ver em outra situação. Um exemplo disso é o caso da Petrobras na Bolívia, considera. Para o especialista, o governo deveria defender os investimentos das companhias brasileiras no exterior.

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