EUA fazem promoções. Mas vendas devem cair

Mesmo com a ?Black Friday?, pesquisas apontam recuo de 10%

EFE, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2008 | 00h00

Lojas de departamento, grandes redes e pequenos negócios, tanto de artigos de luxo e informática como de roupa, começaram ontem a temporada de descontos nos Estados Unidos, que pode ser a pior em décadas por causa da crise econômica. Muitos lojas abriram as portas na madrugada de ontem e penduraram cartazes de descontos, em algumas ocasiões de até 70%, para atrair os consumidores reticentes. "Não acho que os descontos vão ajudar. As pessoas serão mais cautelosas", disse Tammy Allegra, uma nova-iorquina que fazia compras no centro da cidade.O arrefecimento do consumo fez com que os principais comércios da cidade antecipassem os descontos, geralmente concedidos a partir da chamada Black Friday, a primeira sexta-feira após o Dia de Ação de Graças, que praticamente inaugura a temporada de compras.É geralmente a Black Friday que os números vermelhos de muitos estabelecimentos viram azuis e acabam salvando o ano. Em 2007, as vendas no fim de semana posterior ao Dia de Ação de Graças representaram 10% de todas as realizadas no período de festas de fim de ano, que cresceram 2,5% ante 2006.Segundo a empresa especializada em estudos de consumo Shopper Track, neste ano, em razão da "estagnação da economia e da menor confiança dos consumidores", as vendas serão 9,9% inferiores às de 2007. Outras organizações também anteciparam que, de maneira geral, as famílias americanas devem gastar 11,25% menos em presentes neste ano. Uma pesquisa da The Conference Board revelou que as famílias americanas gastarão neste ano a média de US$ 418 em presentes, ante US$ 471 no ano passado.Ao percorrer as principais vias comerciais de Nova York, desde a Quinta Avenida até a luxuosa Madison, passando pelas lojas mais modernas do Soho e outros bairros, se observa o empenho das lojas em dar mais descontos que as concorrentes. As lojas mais famosas de artigos de luxo começaram a colocar também o cartaz de descontos, ainda que em um lugar mais discreto da vitrine.PECHINCHAS"Estou surpreso com as promoções. Vi descontos de 40% e 50% e isso vem em ótimo momento para comprar os presentes de Natal", disse David Paz, um turista espanhol que destacou também que agora a relação entre euro e dólar é menos propícia a turistas europeus que há alguns meses. Avaliação similar foi feita pela turista alemã Nadine, que disse que "Nova York está um pouco mais cara do que esperava?.Na imprensa, tanto em jornais como nas redes de televisão fazem todo tipo de recomendações aos consumidores sobre como comprar mais barato, quais são os artigos em promoção em diferentes lojas e onde conseguir cupons com descontos adicionais.Os produtos mais procurados seguem sendo as grandes televisões de plasma, anunciadas com um desconto médio de até US$ 300 sobre os preços regulares que começam, em seus valores mais baixos, a partir de US$ 900.A Federação Nacional de Vendas no Varejo (NRF, na sigla em inglês) estima que de hoje até domingo haverá mais de 128 milhões de americanos que sairão para fazer compras, dos quais 49 milhões comprarão, enquanto os demais apenas irão para as ruas para ver as promoções. Em 2007, segundo a mesma organização, 135 milhões de pessoas aproveitaram este fim de semana para sair para as compras.Os comerciantes, no entanto, tem ainda outra saída, caso o fim de semana não seja suficientemente lucrativo, a Cybermonday. Nesse dia, a primeira segunda-feira após O Dia de Ação de Graças, os descontos se dirigem à internet, para todos que não aproveitaram os dias anteriores de promoções.

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