Mandel Ngan/APF - 20/11/2019
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EUA fracassam em reduzir déficit comercial

De janeiro a setembro deste ano, déficit chegou a quase US$ 500 bilhões; Trump diz que resultado se deve a práticas abusivas da China

Ana Swanson, The New York Times

21 de novembro de 2019 | 11h21

WASHINGTON - O déficit comercial total dos Estados Unidos aumentou de janeiro a setembro de 2019, chegando a quase US$ 500 bilhões, indicando que a abordagem do governo Trump para o comércio tem feito pouco para diminuir esse desequilíbrio.

Em relação ao mesmo período do ano passado, o déficit comercial de bens e serviços nos primeiros três trimestres do ano saltou 5,4%, chegando a US$ 481,3 bilhões, de acordo com dados divulgados este mês pelo Departamento de Comércio dos EUA. O total de exportações teve queda de US$ 7 bilhões em relação ao ano anterior, enquanto as importações aumentaram US$ 17,8 bilhões.

Em outubro, depois que os EUA e a China concordaram com um cessar-fogo temporário em um conflito comercial que começou a afetar a economia global, os negociadores seguem trabalhando na busca por um acordo comercial interino. Alguns temem que qualquer acordo anunciado ficaria aquém das mudanças buscadas originalmente pelo governo Trump e, no fim, pode ser que o resultado não justifique o sofrimento causado pelas tarifas impostas à China pelo presidente norte-americano.

Peter Bragdon, vice-presidente executivo da Columbia Sportswear, disse que sua empresa estava acostumada a lidar com políticas públicas ruins, mas “ninguém está acostumado a lidar com políticas públicas tão horríveis. São caóticas e incoerentes". Ele acrescentou: “Não surpreende que o investimento nos EUA tenha desacelerado por causa do caos".

A China vem pressionando o governo para recuar nas tarifas aplicadas como condição para que seus representantes viagem aos EUA para assinar um acordo. Autoridades americanas insistem que a decisão definitiva vai depender de novas concessões da China.

No último dia 5, o presidente chinês, Xi Jinping, fez um amplo elogio aos princípios do livre-comércio e prometeu dar as boas-vindas aos investimentos estrangeiros na China, ao mesmo tempo denunciando o tipo de unilateralismo buscado pelo governo Trump. Ele não comentou a respeito da possibilidade de assinatura de um acordo.

Faz tempo que o presidente Donald Trump aponta para o déficit comercial como evidência do estrago causado à economia americana pelas práticas abusivas por parte da China e outros participantes. Mas os economistas argumentam que o déficit segue aumentando porque os EUA estão crescendo mais rápido do que outros países, o que leva a mais compras de produtos estrangeiros e à desaceleração das vendas no exterior.

Em troca de concessões significativas, alguns representantes do governo Trump disseram que estariam dispostos a revogar as tarifas aplicadas em 1.º de setembro sobre cerca de US$ 112 bilhões em mercadorias chinesas. Essas tarifas têm mais peso para o consumidor americano do que para as indústrias chinesas estratégicas que suportaram as tarifas iniciais de Trump, aplicadas sobre US$ 250 bilhões em mercadorias chinesas.

Enquanto autoridades de ambos os países seguem negociando, a conta está aumentando. O banco central de Atlanta estimou que as tensões comerciais e tarifas subtraíram da economia americana cerca de 40 mil novos empregos por mês na primeira metade do ano. E o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou que a guerra comercial poderia custar à economia global cerca de US$ 700 bilhões já em 2020.

Entidades como a Organização Mundial do Comércio (OMC), o FMI e o Banco Central dos EUA alertaram que a guerra comercial está afetando o investimento, potencialmente enfraquecendo a economia.

O economista Brad Setser, do Conselho das Relações Exteriores, publicou no Twitter: “Em um sentido muito específico, as tarifas mais altas aplicadas à China estão funcionando: elas claramente reduziram o comércio e, portanto, o déficit diante da China". 

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