Brendan McDermid/Reuters
Brendan McDermid/Reuters

EUA: Inflação em 12 meses chega a 6,8%, maior patamar em 39 anos

Aumento dos preços coloca pressão sobre o Federal Reserve, o banco central americano, para reduzir programa de estímulo monetário e subir os juros

Agências internacionais

10 de dezembro de 2021 | 13h20
Atualizado 10 de dezembro de 2021 | 14h35

WASHINGTON - A  inflação nos Estados Unidos subiu 0,8% em novembro, na comparação com outubro, e alcançou 6,8% no acumulado dos últimos 12 meses, o que representa o número mais alto registrado no país desde 1982, há 39 anos. As informações  foram divulgadas nesta sexta-feira, 10, pelo Escritório de Estatísticas de Trabalho do país, órgão responsável por medir o Índice de Preços ao Consumidor (CPI, na sigla em inglês). O indicador é a principal medida de inflação americana. 

A inflação acumulada até novembro ficou acima das previsões da maioria dos analistas, que esperavam uma taxa superior a 6%, mas ainda distante dos 7%, como aconteceu. A taxa mensal de 0,8% também ficou acima do esperado. Economistas consultados pela agência de notícias Reuters previam um aumento de 0,7% para o índice no mês.

Se forem excluídos os preços dos alimentos e dos combustíveis, que são os mais voláteis, a inflação de novembro foi de 0,5%, com uma taxa anual de 4,9%.

Os preços de energia foram os que mais subiram no mês passado, com alta de 3,5%. Eles foram puxados por um aumento de 6,1% dos combustíveis em novembro, que já acumulam uma alta de 58,1% em 12 meses. Já os preços dos alimentos tiveram elevação de 0,7%, segundo o informe do governo. 

"Com a escassez de oferta provavelmente persistindo até o ano que vem e os preços do setor de serviços tendendo a subir, a inflação vai piorar antes de melhorar", disse Sam Bullard, economista sênior do banco Wells Fargo. 

Os índices divulgados hoje colocam mais pressão sobre o Federal Reserve (Fed) - o banco central americano -, que é responsável pela política monetária dos EUA. As principais responsabilidades do Fed são manter estabilidade dos preços e fomentar do pleno emprego.

Os números mais recentes do mercado de trabalho têm mostrado que a situação do emprego está cada vez mais confortável no país, depois do alto número de demissões verificado na primeira metade do ano passado. A taxa de desemprego dos EUA caiu para 4,2% em novembro, o menor nível em 21 meses, de acordo com os dados divulgados na semana passada. Além disso, os novos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA caíram ao menor patamar em mais de 52 anos.

Em novembro, o Fed manteve a taxa de juros no país variando de zero a 0,25% e anunciou o início da redução do programa de compras de títulos em US$ 15 bilhões ao mês. O programa é uma forma de estímulo monetário, para injetar mais dinheiro e estimular o crédito na economia. Uma inflação em disparada, como a que apontam os dados de hoje, poderia levar a cúpula do banco central americano a acelerar a retirada dos estímulos à economia, aumentando o ritmo do corte ou a quantia. A próxima decisão de política monetária é esperada para o dia 15 de dezembro, na semana que vem.

O principal indicador de inflação para o Fed é o índice PCE (sigla em inglês para Despesas de Consumo Pessoais), que exclui produtos com preços mais voláteis como alimentos e energia. É com base nesse índice que o banco central americano define sua meta de inflação, de 2% ao ano no longo prazo. O núcleo do PCE (medida que exclui os choques temporários de preços) subiu 4,1% nos 12 meses até outubro, o maior patamar desde janeiro de 1991. Os dados de novembro do PCE serão divulgados neste mês. 

"Uma tendência contínua de alta no núcleo da inflação cria mais riscos de aperto das condições monetárias para um Fed que se tornou recentemente mais focado no lado da inflação de seu mandato e sugere uma probabilidade crescente de uma primeira alta de juro ainda mais precoce", disse Veronica Clark, economista do Citigroup em Nova York.  / COM INFORMAÇÕES DA REUTERS E DA EFE

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