EUA investigam contaminação em pó da Herbalife

Empresa detectou pequenos fragmentos de metal em produto usado para fazer shake e diz que lote afetado não foi vendido a consumidores

Willian Alden e Andrew Ross Sorkin, The New York Times - O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2013 | 02h15

Depois que a Herbalife, empresa que fabrica suplementos nutricionais, começou a produzir na Califórnia o pó para preparo de sua bebida mais vendida, no início de 2011, seus executivos foram obrigados a duplicar seus esforços para combater a causa de uma grave ameaça à segurança do produto. 

A companhia havia detectado minúsculos fragmentos de metal no shake Formula 1 que havia acabado de sair da linha de produção. Ao fim de cinco semanas de investigação, a empresa informou ter resolvido essa questão e um segundo problema relacionado à contaminação com metais . A Herbalife também insiste que não existe nenhuma evidência de que quaisquer produtos contaminados tenham saído da fábrica e, por consequência, chegado à casa dos consumidores.

No entanto, depois que a fábrica voltou a produzir em ritmo normal, ficaram dúvidas quanto ao cumprimento das normas gerais e dos padrões de segurança industrial.

"Estou enojado", disse Gary Gary Swanson, vice-presidente global de qualidade da Herbalife, em uma conversa privada uma semana depois que a empresa reiniciou sua produção, em fevereiro de 2011, de acordo com documentos aos quais o New York Times teve acesso.

Referindo-se às leis da indústria de suplementos dietéticos para as práticas de boa fabricação, implementadas pela Administração Federal de Alimentação e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês), Swanson disse ainda nos documentos: "Se esse lugar (fábrica) fosse auditado no mês que vem, estaríamos em sérios problemas".

As circunstâncias que cercam estes problemas - e a solução dada pela Herbalife - agora estão sendo verificadas. E o novo escrutínio está ligado a uma batalha feroz que se desenrola em Wall Street.

Perdas e ganhos. A Herbalife está no centro de uma briga entre bilionários. William A. Ackman, gerente do fundo Pershing Square Capital Management, apostou US$ 1 bilhão que as ações iriam cair e declarou que a companhia funcionava como um esquema de pirâmide financeira, afirmação que a Herbalife desmentiu energicamente. Ackman teve prejuízos de cerca de US$ 400 milhões à medida que outros grandes investidores, incluindo Carl C. Icahn e o fundo de George Soros, investiram pesadamente na ação, favorecendo sua alta.

Ackman, como parte de sua campanha contra a Herbalife, recorreu ao procurador-geral do Estado de Nova York e à SEC (Securities and Exchange Commission, equivalente à Comissão de Valores Mobiliários no Brasil) na esperança de convencer as autoridades a processar a companhia.

Agora, o procurador geral ordenou a um ex-funcionário da Herbalife que compareça em juízo para apresentar documentos referentes ao problema do produto, afirma uma fonte da empresa. Os documentos incluem e-mails, apresentações e relatórios de operações. O ex-funcionário obteve os documentos antes de deixar a companhia, em 2011.

Com a finalidade de beneficiar-se com a delação premiada da SEC, ele entrou em contato com a FDA no ano passado antes de recorrer a Ackman, que se ofereceu para pagar as custas com advogados.

Dúvidas. Quando surgiram as preocupações com a contaminação por metal, a Herbalife procurou sanar o problema, dizem os documentos. Mas, segundo consta, grande parte do produto da linha suspeita de contaminação não foi destruída, conforme recomendam alguns especialistas em segurança de produtos.

O problema teria sido causado por uma tela de aço inoxidável defeituosa, que soltava pequenos fios. Embora um ímã devesse atrair todo fragmento de metal no produto, o aço da tela "não era magnético".

A companhia determinou a quarentena do produto e tentou salvar o pó fazendo novas inspeções para garantir que não ele continha nenhum fragmento de metal. Segundo a empresa, só foi liberado para a venda o produto aprovado na inspeção.

"Se ela tinha motivos para crer que o produto estava contaminado, deveria tê-lo destruído", disse Bill Marler, advogado especialista em segurança de alimentos que moveu uma série de importantes ações relacionadas à segurança dos alimentos. "Eu trabalhei em vários casos deste tipo e esse comportamento não faz o menor sentido para mim."

Por outro lado, não há nenhuma exigência para que se destrua um produto potencialmente contaminado, disse Christopher S. D'Angelo, presidente do grupo de responsabilidade decorrente de produtos, do escritório de advocacia americano Montgomery McCracken Walker & Rhoads. "Se o produto atende a todas as especificações e normas, não há nenhuma razão para que ele não possa ser vendido", explica.

(TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA)

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