EUA investigam Walmart por propina no México

Segundo fontes, varejista passa por investigação criminal do Departamento de Justiça e também será questionada pelo Congresso, o que fez ação cair 4,7%

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2012 | 03h05

O Walmart, principal rede de varejo do mundo, enfrenta uma das maiores crises administrativas de sua história depois de a sua filial no México ter sido acusada de subornar autoridades do país em reportagem publicada no jornal 'The New York Times'.

O Departamento de Justiça dos EUA conduz uma investigação criminal sobre as acusações, segundo duas fontes citadas pelo Washington Post. A empresa também enfrenta problemas com o Congresso americano. Os deputados Henry Waxman e Elijah Cummings abriram uma investigação para apurar as denúncias de suborno e corrupção feita contra a unidade mexicana da rede varejista Walmart, informou ontem a emissora CNBC.

Em reação ao escândalo, as ações da empresa fecharam com queda de 4,66% em Nova York, cotadas a US$ 59,54. Analistas preveem uma batalha legal para a companhia que pode durar anos. Alguns dos principais executivos da empresa correm o risco de perder seus empregos.

Segundo o New York Times, o Walmart não levou adiante uma investigação para apurar se o seu braço mexicano, conhecido como WalMex, subornou autoridades do país para abrir filiais. Hoje, uma em cada cinco lojas da rede se localiza no México.

Inicialmente, o Walmart teria enviado uma missão para verificar os gastos de US$ 24 milhões com suborno. Depois de descobrir as irregularidades, a matriz da companhia, nos EUA, não teria levado adiante o caso e tampouco teria informado a Justiça mexicana e americana.

Depois de avisado pelo New York Times de que seria publicada uma reportagem sobre o escândalo, o Walmart entrou em contato com a Securities and Exchange Comission (SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA) e com o Departamento de Justiça americano.

Caso comprovadas as acusações, o Walmart terá violado a Lei de Práticas Corruptas no Exterior, do Departamento de Justiça americano, que já pediu explicações à empresa.

Um dos envolvidos é o atual vice-presidente do Walmart, Eduardo Castro-Wright, que, após dirigir a WalMex, assumiu a posição nos EUA. A especulação é de que ele possa ser removido do cargo enquanto as investigações prosseguem. Em seu site, o Walmart afirmou que "não tolera o descumprimento da Lei Contra Práticas de Corrupção no Exterior em nenhum nível da empresa e em nenhum lugar". Segundo David Tovar, vice-presidente de comunicação corporativa, "uma investigação começou em meados do ano passado".

Imagem. As revelações do New York Times ameaçam destruir a imagem de retidão que o Walmart construiu cuidadosamente nos últimos anos, em reação às acusações de que a empresa paga salários muito baixos a seus funcionários e de que faz com que pequenas lojas familiares acabem saindo do mercado.

O Walmart possui lojas em 27 países, incluindo o Brasil, e atende 200 milhões de clientes por semana. Ao todo, a empresa emprega 2,2 milhões de pessoas e suas vendas devem atingir US$ 444 bilhões neste ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.