EUA já discutem liberação de reservas de petróleo

Preço do barril chega a US$ 95 e governo teme que a alta prejudique a frágil recuperação da economia americana

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h07

O governo dos Estados Unidos está retomando discussões sobre a possível liberação de reservas emergenciais de petróleo agora que o preço da commodity superou US$ 95 o barril, segundo um porta-voz da administração Obama.

As conversas estão no estágio inicial e a decisão não deverá sair no curto prazo, afirmou o porta-voz. No entanto, a alta do custo do petróleo, combinada com o aumento no preço da gasolina, está gerando receios de que os custos dos combustíveis prejudiquem a já frágil recuperação da economia americana.

O preço médio da gasolina chegou a US$ 3,70, ante US$ 3,40 um mês atrás, de acordo com pesquisa da AAA Fuel Gauge. O preço do petróleo, por sua vez, fechou ontem a US$ 95,60 o barril, o maior valor em três meses.

Um porta-voz da Casa Branca se recusou a comentar sobre a questão das reservas emergenciais, que somam 700 milhões de barris e podem ser usadas em momentos de desabastecimento. A última vez em que o governo Obama liberou petróleo das reservas foi no ano passado, como parte de um esforço coordenado para compensar reduções na produção da Líbia, que na época estava em guerra.

Washington está também entrando em contato com países aliados para discutir a possibilidade de uma liberação coordenada de reservas de emergência, segundo o oficial.

Resistência. O presidente Barack Obama enfrenta firme resistência à possibilidade da liberação das reservas estratégicas de petróleo, com o objetivo de reduzir os preços no mercado internacional.

A diretora executiva da Agência Internacional de Energia, Maria van der Hoeven, afirmou ontem que não há razão para a liberação porque o mercado tem uma boa oferta. Tradicionais aliados dos EUA, como o Japão, também apresentaram argumento semelhante.

"Não há nenhuma razão para a liberação", disse a chefe da AIE, que tem sede em Paris e aconselha 28 países industrializados sobre a política energética. Hoeven disse que a AIE não foi contatada pela administração Obama sobre o assunto.

Enquanto a Grã-Bretanha e a França parecem estar abertas a discussões sobre a liberação de reservas, o Japão e a Coreia do Sul afirmaram ontem que não veem razão para liberar os estoques.

"A liberação de estoques não é feita quando os preços estão altos, mas quando a oferta é insuficiente. As ofertas são suficientes agora", disse uma fonte do governo do Japão.

O preço do petróleo Brent chegou a cair abaixo de US$ 113 ontem com a notícia de possibilidades de liberação de reservas, mas reduziu a perda após fala de Hoeven./ AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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