EUA jogam chance de mais estímulos para o futuro e dólar sobe

Cenário:

NALU FERNANDES , O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h10

O pronunciamento do presidente do banco central norte-americano, Ben Bernanke, era o evento mais esperado da tarde de ontem. O líder começou a falar às 15h15 e o consenso do mercado foi de que ele deixou em aberto a possibilidade de que o Federal Reserve venha a adotar mais medidas de estímulo à economia, no futuro. Mais cedo, ao término da sua reunião de política monetária, o Fed tinha mantido os juros básicos da economia dos EUA estáveis entre zero e 0,25%, ao mesmo tempo em que decidiu estender até dezembro a Operação Twist - compra de bônus de longo prazo e venda de papéis mais curtos, cujo objetivo é continuar reduzindo os juros com vencimento mais distante e encorajar o crédito.

Como esse pacote de informações veio em linha com as expectativas de grande parte dos investidores e foi embutido no desempenho dos ativos nos últimos pregões, os mercados alternaram momentos de realização com outros de cautela e, ao final do dia, nem grandes ganhos, nem importantes perdas foram registrados.

Mas, com o adiamento de um eventual terceiro programa de injeção de liquidez nos EUA, o dólar terminou o dia em alta de 0,25% no mercado à vista de balcão, cotado a R$ 2,035. Além disso, a perspectiva traçada por Bernanke, reconhecendo que o Fed estava muito otimista em relação à recuperação da economia e que os últimos dados "têm sido um pouco decepcionantes", adicionou um pouco de pressão sobre os mercados no fim do dia.

A Bovespa encerrou o pregão em queda de 0,05%, aos 57.166,55 pontos, também em linha com o exterior. Porém, durante toda a sessão, o desempenho positivo das ações da Petrobrás, ainda influenciadas pelas expectativas de reajuste de 15% dos combustíveis, chamou a atenção e impediu quedas maiores do Ibovespa. O papel PN da estatal do petróleo subiu 1,27%, enquanto o ON avançou 1,32%. As ações da mineradora Vale também tiveram desempenho positivo, com ganho 0,29% na ON e 0,35% na PNA.

No mercado de juros, diante da falta de surpresas externas, os investidores continuaram com movimentos suaves, visto que permanece o consenso de que a economia doméstica está enfraquecida e a inflação sob relativo controle. Os economistas do Credit Suisse, por exemplo, revisaram a estimativa para o crescimento brasileiro, em 2012, de 2% para 1,50%. Esse quadro não abre espaço para grandes apostas e as taxas de juros de curto prazo ficaram quase estáveis, com leve viés de alta.

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