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EUA miram ativos de bancos da Europa Investir na Europa ainda é arriscado

Empresas americanas aproveitam necessidade de caixa dos europeus para comprar barato

NELSON D. SCHWARTZ , THE NEW YORK TIMES , O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2011 | 03h04

Enquanto a Europa enfrenta a crise do endividamento, as empresas e instituições financeiras americanas fazem empréstimos e se apossam de ativos de bancos europeus - desde hipotecas sobre um hotel de luxo em Miami Beach até o edifício mais alto em Dublin.

As vendas estão sendo estimuladas porque os bancos europeus vêm lutando para levantar capital e enxugar seus balancetes, muitas vezes por ordem dos órgãos reguladores. As instituições financeiras europeias precisam se desfazer de até US$ 3 trilhões de ativos nos próximos 18 meses, segundo estimativas de Huw van Steenis, analista do Morgan Stanley.

Este mês, uma equipe de três banqueiros da Kohlberg Kravis Roberts, com sede em Londres, seguiu para a Grécia para examinar uma promissora companhia que não consegue obter crédito de bancos gregos para continuar se desenvolvendo.

O Blackstone Group também fechou negócio para adquirir do Commerzbank, gigantesca instituição financeira alemã, por US$ 300 milhões - em créditos imobiliários lastreados - propriedades que incluem o hotel Mondrian South Beach na Flórida e quatro hotéis Sofitel em Chicago, Miami, Minneapolis e San Francisco. O Commerzbank, pressionado pelos órgãos reguladores, levantou 5,3 bilhões (US$ 6,9 bilhões) de capital novo em meados de 2012.

O Google também se deparou com uma oportunidade. Este ano, adquiriu o edifício Montevetro em Dublin, da National Asset Management Agency, que tinha adquirido o imóvel depois de um enorme programa de ajuda a bancos do governo irlandês.

"Claramente, há uma reestruturação e um enxugamento das instituições financeiras europeias", disse Timothy J. Sloan, diretor financeiro da Wells Fargo, que no mês passado adquiriu de um banco irlandês o equivalente a US$ 3,bilhões de empréstimos imobiliários. "E muitos dos ativos dos quais as empresas estão se desfazendo estão nos Estados Unidos."

As instituições financeiras americanas estão saltando sobre a atribulada Europa mesmo com as suas próprias dificuldades. Na Kohlberg Travis, Nathaniel M. Zilka, codiretor do grupo de situações especiais, está ampliando a equipe em Londres de dois para oito funcionários, esperando se beneficiar de oportunidades na Europa.

A empresa está pensando em investir no país onde a crise começou, a Grécia, apesar dos alertas de um possível calote de Atenas. "Os desarranjos do mercado na Grécia estão criando oportunidades importantes que, de outra maneira, não seriam possíveis", disse Zilka.

Além da Grécia, os banqueiros da Kohlberg Travis estão em busca de negócios na Espanha e Portugal, onde empresas enfrentam um período difícil para conseguir novos créditos ou estender o prazo de empréstimos.

A Irlanda, cujos bancos foram devastados pelo estouro da bolha imobiliária similar àquela dos Estados Unidos, também tem recebido interessados americanos com os bolsos cheios. Mas em muitos casos os ativos estão bem mais próximos.

Em novembro, a Wells Fargo adquiriu do Anglo Irish Bank o equivalente a US$ 3,3 bilhões de empréstimos imobiliários lastreados por propriedades comerciais nos Estados Unidos. E também US$ 2,4 bilhões em empréstimos e outros ativos do Banco da Irlanda, que está tentando levantar 10 bilhões (US$ 13 bilhões) depois do pacote de ajuda da União Europeia e do FMI.

Para os especialistas, as vendas precisam ser aproveitadas neste momento em que os bancos europeus procuram se apressar para cumprir o prazo imposto pela Autoridade Bancária Europeia - junho - para levantar mais de 114 bilhões em capital novo. As instituições financeiras também terão de aumentar seu índice de capital Tier 1 - o mais estrito critério de avaliação da capacidade de um banco para absorver choques financeiros - para 9% dos seus ativos.

Investir na Europa implica riscos: uma grande aposta na dívida soberana europeia levou o MF Global à falência em 31 de outubro. E, mesmo que continuem a fazer negócios, alguns bancos americanos também estão lutando com as próprias dificuldades, especialmente a ameaça de hipotecas não resgatadas após o estouro da bolha imobiliária nos EUA. O Bank of America, por exemplo, recentemente levantou bilhões vendendo participações em bancos no Brasil e na China.

Por outro lado, mesmo bancos mais sólidos, como Wells Fargo e JP Morgan Chase, estão sofrendo algum impacto nos lucros por causa da queda na demanda por empréstimos, mercados de capital moribundos e novos regulamentos que preveem vigorosos cortes nas lucrativas comissões cobradas sobre cartões de débito e outros produtos.

Mas as instituições americanas estão mais fortes do que suas similares europeias, diz Christopher Kotowski, analista da empresa Oppenheimer. "Todos devem fazer cortes, mas os europeus têm de se empenhar mais."

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