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Louise Barsi: O Jeito Waze de investir - está na hora de recalcular a sua rota

EUA não devem ampliar cota do Brasil para o aço

O representante dos Estados Unidos para o Comércio, Robert Zoellick, deixou claro nesta segunda-feira que não vai atender ao pedido do Brasil de ampliação da cota para produtos siderúrgicos semi-acabados. Conforme justificou, o governo norte-americano excluiu 87% dos embarques do setor brasileiro, ao fixar as medidas de salvaguardas às importações de aço, e concedeu a fatia de 52% da cota global de semi-acabados ao País.Antes mesmo dessas declarações, o Itamaraty já havia concluído que dificilmente obteria êxito no pleito. Conforme informou à Agência Estado uma fonte da diplomacia, o Brasil deverá reclamar formalmente à Organização Mundial do Comércio (OMC).?Quando o presidente Bush e nós discutimos as salvaguardas, demos atenção especial aos nossos parceiros do Hemisfério Ocidental?, afirmou Zoellick. ?Nos nossos cálculos, cerca de 87% das exportações brasileiras de aço não foram afetadas?.Primeira autoridade norte-americana de primeiro escalão do governo do presidente George W. Bush a visitar o Brasil, Zoellick desembarcou em Brasília. O primeiro encontro foi com o ministro da Fazenda, Pedro Malan. A reunião, que se desenrolaria em cerca de 40 minutos, acabou se estendendo por duas horas e cinco minutos.Na saída, o representante decidiu falar à imprensa em um parlatório improvisado na portaria no ministério, por onde transitam os funcionários administrativos, com o cuidado de esmiuçar as justificativas sobre o suposto tratamento ?benevolente? reservado ao Brasil.De acordo com o representante, o governo norte-americano fixou uma cota para os produtos semi-acabados do Brasil de 2,8 milhões de toneladas. Esse volume, conforme argumentou, teria sido embasado no pico das exportações brasileiras desses itens, ocorrido em 2000, e vai aumentar no segundo e no terceiro anos de vigência das salvaguardas. Zoellick mencionou que o tratamento não foi o mesmo reservado para a Coréia do Sul, que obteve uma cota equivalente a 50% das exportações de semi-acabados. ?Vocês não querem a exclusão que a Coréia teve, não é? Não estudo matemática há muito tempo, mas creio que 90% é bem melhor que 50%?, afirmou.Tais argumentos, entretanto, vem sendo reconhecidos pelo Itamaraty. Mas a diplomacia insiste em manter o acesso ao mercado norte-americano para a parcela de produtos siderúrgico que será afetada pelas salvaguardas. O tema deverá consumir boa parte da reunião que Zoellick terá com o presidente Fernando Henrique Cardoso e com a equipe de negociadores liderada pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Lafer.Conforme informou um dos principais negociadores brasileiros, as chances de o Brasil conseguir um tratamento mais favorável eram consideradas nulas antes mesmo do desembarque de Zoellick no País. No próximo final de semana, os dois países deverão realizar as consultas previstas no Acordo de Salvaguardas da OMC. Mas o País está convencido de que a resistência norte-americana em aceitar os argumentos da indústria brasileira levará o Brasil a acionar o Órgão de Solução de Controvérsias da organização.No parlatório improvisado, Zoellick deu indicações de que pretende amenizar as reações do governo brasileiro contra as medidas de salvaguardas. Ele defendeu a maior cooperação do Brasil, cuja indústria já passou por uma fase de reestruturação, com o setor norte-americano, que ?terá no período de proteção comercial o tempo necessário para sua conversão de suas plantas?.Como exemplo, lembrou que a indústria siderúrgica brasileira nasceu a partir de investimentos norte-americanos na gestão de Getúlio Vargas ? mas, de fato, os Estados Unidos só se convenceram do negócio depois de se dar conta da oferta da Alemanha nazista.Zoellick deixou claro que os Estados Unidos igualmente ambicionam mercados que, no Brasil, continuam protegidos. Mencionou pontualmente a tarifa de importação de 35% aplicada sobre as compras externas de automóveis. ?É interessante que essa tarifa é mais alta que a que vamos aplicar sobre as importações de produtos siderúrgicos acabados, com a adoção das salvaguardas?, afirmou.

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