EUA não devem intervir em crise do gás, diz jornal

O jornal americano Boston Globe afirma em editorial que a nacionalização das indústrias de gás na Bolívia pelo presidente do país, Evo Morales, representa "uma briga local, principalmente entre Bolívia e Brasil". Segundo o jornal, "o modo de pensar da Guerra Fria, que parece ainda existir entre assessores do presidente Bush, estão sendo colocados à prova pelos eventos na América Latina".O diário afirma que "apesar de a ação de Morales não ter praticamente qualquer efeito direto sobre os interesses americanos", ela seguramente irá "criar ressentimento em uma administração identificada com a grande indústria petrolífera".Mas o Boston Globe adverte que "deve ser evitada qualquer tentação que Washington tenha de intervir com ações hostis no conflito comercial entre o presidente eleito do país mais pobre do continente e companhias energéticas do Brasil e da Espanha".O jornal acrescenta que "em uma época de lucros elevados para as companhias energéticas, Morales está apostando que a brasileira Petrobras e a espanhola Repsol cederão às suas exigências, em vez de deixar de investir no setor energético boliviano".O Boston Globe conclui que "a melhor política para Bush e seus fundamentalistas econômicos é ignorar o fato de que Morales fez sua jogada após uma visita a Havana onde se encontrou com Fidel Castro e o presidente populista da Venezuela, Hugo Chávez. Por mais duro que seja, a equipe de Bush deve deixar que o mercado decida quem são os vencedores e os perdedores".Kirchner, o pacificadorO diário argentino Clarín afirma que o líder do país, Néstor Kirchner, chega nesta quinta-feira à cidade argentina de Puerto Iguazú para a reunião entre os líderes de Brasil, Argentina, Venezuela e Bolívia com "a intenção de conciliar Lula e (o líder boliviano) Evo Morales".Segundo o jornal, também despertou suspeitas o fato de o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ter desembarcado em La Paz na véspera da reunião. O jornal acrescenta que Chávez e Morales seguem juntos para Puerto Iguazú.O Clarín contou ter ouvido fontes diplomáticas argentinas que afirmarem que os líderes sul-americanos procurarão dar um sinal positivo para o resto do mundo e demonstrar união.O diário afirma que o líder argentino irá acompanhar Lula na negociação com a Bolívia porque "o brasileiro contactou Kirchner para pedir ajuda em uma negociação que interessa a ambos os países?.

Agencia Estado,

04 de maio de 2006 | 08h04

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