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Brasil perde ‘preferência’ dos EUA para Argentina

Secretária de Comércio americana diz que situação brasileira é ‘muito desafiadora’ e faz elogios à administração de Mauricio Macri

Cláudia Trevisan, correspondente, O Estado de S. Paulo

03 de maio de 2016 | 17h31

WASHINGTON - Uma das principais integrantes da equipe econômica do presidente Barack Obama, a secretária de Comércio dos Estados Unidos, Penny Pritzker, disse ontem que a crise do Brasil é “muito, muito desafiadora” e não será resolvida rapidamente. Diante das turbulências da maior economia da América do Sul, ela deixou claro que a Argentina de Mauricio Macri é a nova parceira preferencial de Washington na região.

“Nós estamos vendo as implicações que a corrupção pode ter sobre um país e tão rapidamente. É desestabilizador”, disse Penny durante a Conferência sobre as Américas, realizada anualmente no Departamento de Estado, em Washington. “Nossa esperança é que eles possam atravessar isso e lidar com o escândalo, mas parece que vai levar tempo. Não parece que vão virar a página logo.”

Novo queridinho. O pessimismo em relação ao Brasil contrastou com os elogios feitos por Penny à Argentina e à administração de Macri, que tomou posse em dezembro. “O seu compromisso para transformar a economia é extraordinário”, afirmou a secretária, que mencionou o corte de gastos públicos, a unificação do câmbio, a redução dos subsídios à eletricidade e a diminuição das tarifas sobre exportação. 

A assessora de Obama também ressaltou o acordo obtido pela gestão Macri com os detentores de bônus que não participaram da reestruturação da dívida do país. Com isso, a Argentina conseguiu voltar ao mercado internacional e captar S$ 16,5 bilhões em abril. “Eles têm o potencial de desempenhar um papel de liderança, especialmente no momento em que os vizinhos estão tendo vários problemas”, observou.

Penny afirmou que há duas visões “concorrentes” nas Américas sobre o futuro do hemisfério. De um lado estão os países que integram a Aliança do Pacífico e a Parceria Transpacífica (TPP), que optaram pela abertura comercial. 

Do outro, estão as nações do Mercosul, entre as quais o Brasil, que priorizaram políticas protecionistas. Apesar de a Argentina ser a segunda maior economia do Mercosul, Penny incluiu o país pós-Macri entre os favoráveis à integração.

“Não há comparação em relação ao crescimento. O crescimento está nos países que abraçaram uma concepção de futuro aberta, engajada e orientada ao comércio e à globalização.” Em suas relações comerciais com a região, o governo dos Estados Unidos dá prioridade às nações que optaram pelo engajamento, porque não há “muitas oportunidades” nos países com políticas protecionistas, ressaltou. 

A expectativa da secretária dos Estados Unidos é que o Congresso americano aprove ainda este ano o TPP, o mega-acordo comercial entre 12 países da costa do Pacífico, que representam 40% do Produto Interno Bruto (PIB) global e foi fechado em fevereiro, depois de sete anos de negociação.

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