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E-Investidor: como a queda do PIB afeta o mercado financeiro

EUA ofertam ativos tóxicos a investidor; FMI faz alerta

Os Estados Unidos tentaram persuadir investidores privados nesta segunda-feira a adquirir somas exorbitantes em ativos tóxicos de bancos, enquanto o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para uma alta drástica do desemprego que pode ameaçar a democracia de alguns países ou até mesmo provocar guerra.

DAVID LAWDER E GLENN SOMMERVILLE, REUTERS

23 de março de 2009 | 12h13

As bolsas de valores de Wall Steet disparavam com a oferta do governo norte-americano de financiamento para investidores, direcionada a limpar até 1 trilhão de dólares em ativos problemáticos dos balanços de bancos, que estão bloqueando empréstimos e agravando a recessão.

Como os bancos são os beneficiários do plano, as ações do Citigroup e do Bank of America se destacavam. Ambas as instituições detêm o maior número de ativos problemáticos, alvos do plano.

O secretário do Tesouro norte-americano, Timothy Geithner, disse que a criação de parcerias público-privadas para adquirir ativos tóxicos de bancos pode ajudar a evitar uma recessão mais longa e profunda e facilitar a obtenção de capital privado pelos bancos.

Mas o governo não poderia assumir sozinho a responsabilidade de fazer com que os mercados de crédito funcionem apropriadamente. "Para o funcionamento desses programas, os investidores têm que estar preparados para assumir algum risco", acrescentou o secretário.

Geithner tem sido criticado por seu desempenho diante da crise econômica e por uma série de bônus distribuídos no setor financeiro dos EUA.

Mais cedo, um representante do governo do presidente Barack Obama afirmou que o Tesouro planeja colocar de 75 bilhões a 100 bilhões de dólares para lançar as parcerias público-privadas.

O dinheiro, tirado do pacote de 700 bilhões de dólares aprovado pelo Congresso em outubro, será colocado lado a lado com capital privado e, então, alavancado a até 500 bilhões de dólares ou possivelmente o dobro desse valor.

MAIS OTIMISMO

O índice Nikkei, da bolsa de Tóquio, subiu 3,4 por cento, para o maior patamar de fechamento em sete semanas. O principal índice de ações europeu avançava mais de 2 por cento, com as ações do setor financeiro figurando entre as maiores ganhadoras.

No início da manhã, o dólar caiu acentuadamente, à medida que o plano encorajava investidores a sair da posição tida como segura da moeda norte-americana. Mas, em seguida, a divisa atingia a máxima da sessão frente ao euro, com comentários de Geithner de que o mercado para ativos de baixa performance de bancos está "emperrado" e que os programas vão ajudar em relação aos ativos sem liquidez.

No entanto, permanecem dúvidas sobre como os ativos podres, como dívidas lastreadas em hipotecas, seriam precificados.

SITUAÇÃO TERRÍVEL

Na economia real a perspectiva é uma das piores. "Sinceramente, a situação é terrível", afirmou o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn.

Enquanto a crise se espalha para os países em desenvolvimento, milhões serão jogados de volta à pobreza, disse em reunião da Organização Internacional do Trabalho em Genebra.

"Tudo isso vai afetar dramaticamente o desemprego e, além do desemprego, em muitos países isso será a raiz para agitações populares, alguma ameaça à democracia e talvez em alguns casos isso possa também acabar em guerra", disse.

(Reportagem de Noah Barkin em Berlim, Zhou Xin e Simon Rabinovitch em Pequim; Cheon Jong-woo em Seul, Jonathan Lynn em Genebra)

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