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EUA ousam o que ousamos antes

Governo, Congresso e banco central americano estão ousando cada vez mais, aprovaram o pacote de estímulo fiscal, mais ajuda aos desempregados e vão continuar injetando até US$ 1 trilhão na economia para superar a crise. Enquanto isso, a zona do euro hesita e fica discutindo se deve ou não ajudar os países em crise e salvar o euro. Um número crescente de economistas já começam a acreditar no fim da moeda única europeia. No mínimo, dizem todos, a União Europeia sai abalada dessa crise. Alguns países talvez sejam obrigados a sair da zona do euro.

Alberto Tamer, O Estado de S.Paulo

16 de dezembro de 2010 | 00h00

A Grécia ainda não cumpriu totalmente as severas metas impostas pelo FMI e a Irlanda vive uma espécie de crise adiada. O cenário se agravou com o rebaixamento da Espanha pela agência de risco Moody"s. Ela tem uma taxa assombrosa de desemprego, 20,7% da força de trabalho e déficit em conta corrente de 4,4%. A Itália segue o mesmo caminho. Parece que dos países menores, apenas Portugal está levando a sério os problemas, tenta privatizar, cortar gastos, mas continua indefeso se os outros não forem socorridos por medidas mais consistentes.

Ousadia solitária. Nesse cenário, louve-se a ousadia do Fed que, enfrentando a crítica de teóricos e acadêmicos, manteve o juro básico negativo e reafirmou, com todas as palavras, que vai continuar injetando liquidez na economia. A meta é superar a crise, crescer e restabelecer a confiança dos consumidores. A própria retomada da demanda e do emprego vai aumentar a receita o que ajudará a administrar o déficit. Os manuais de economia não dizem bem isso, falam que primeiro é preciso investir para depois aumentar o consumo como se alguém fosse aumentar o consumo num economia em recessão...

Não só não consomem, como, inseguros, poupam o que podem. É o que está acontecendo exatamente agora nos Estados Unidos e na Europa. Ficaram falando em primeiro investir para depois aumentar o consumo como se alguém vai investir se não houver demanda.

Seguiram a gente. Foi isso o que o Brasil fez nos anos de crise. Teve a vantagem de não encontrar um consumidor muito afetado pelos acontecimentos externos, mas a confiança só foi mantida porque teve o apoio do governo. Não tínhamos teóricos nem acadêmicos em economia formados em Stanford ou Massachusetts. Nem escreveram teses sobre crises econômicas repletas de estatísticas bem trabalhadas mostrando que é fácil prever o passado. Não o presente que ninguém previu mesmo quando estava acontecendo. E parece que não vamos ter também no próximo governo. Ainda bem. No fundo, professor sabe ensinar e apresentar planos, nem sempre estão preparados para tornar realidade os planos que propõem.

E agora? Agora, que a ousadia dos EUA vai ter pouca repercussão na economia mundial. É uma ousadia solitária que tende a se concentrar primeiro no mercado interno, ainda desconfiado, para depois refletir-se no exterior. Diante da obtusidade da Europa, da reticência do Japão com uma economia que dorme há décadas, e a decisão chinesa de conter o crescimento para que a inflação não passe de 4%, o Brasil vai continua vivendo num mundo incerto. Podem surgir novas turbulências financeiras na zona do euro.

A professora Lia Valls Pereira, da Fundação Getulio Vargas, apresenta um quadro impressionante dessa distorção na revista de novembro Conjuntura Econômica. Vejam. A participação dos produtos básicos nas exportações do Brasil para a China passou de 19,6% em 1990 para 77,7% no ano passado!

Este ano, a qualidade do comércio bilateral só se deteriorou.

Entre janeiro e setembro, as exportações brasileiras de produtos básicos para a China aumentaram para 84% e as de manufaturados recuaram 4,2%.

É um desafio que, felizmente, a presidente decidiu enfrentar com as medidas de incentivo financeiro e tributário, anunciadas ontem, para que as empresas invistam mais, cresçam e, acima de tudo, inovem.

E isso antes mesmo de assumir o governo. Bom sinal. Dilma está 14 dias na frente.

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