EUA perdem fôlego sob efeito da crise da dívida

Resultado do PIB do segundo trimestre veio abaixo do esperado e derrubou as bolsas, no momento em que o país busca saída para o endividamento

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2011 | 00h00

A economia dos Estados Unidos desacelerou mais do que o esperado no primeiro semestre e sob a ameaça dos efeitos de uma grave crise da dívida.

O Escritório de Análises Econômicas divulgou ontem o crescimento de apenas 1,3% no Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre - 0,5 ponto porcentual menor do que o previsto pelo mercado. Também reviu para baixo, de 1,9% para 0,4%, o resultado do PIB entre janeiro a março deste ano.

O desempenho frustrante e o prazo de menos de quatro dias para o Congresso diluir suas resistências internas a um acordo bipartidário sobre o teto da dívida levaram o presidente americano, Barack Obama, a mais uma dura cobrança aos parlamentares. "O poder para resolver isso está nas nossas mãos neste dia em que fomos lembrados o quão frágil nossa economia ainda está", afirmou Obama, ao alertar para o desperdício de tempo.

No fim da tarde de ontem os deputados republicanos conseguiram superar parte das discordâncias internas e aprovaram o projeto apresentado pelo senador John Boehner, presidente da Câmara dos EUA, para reduzir o déficit orçamentário e aumentar o teto da dívida. Porém, a vitória do Partido Republicano teve vida curta, pois o projeto de lei foi rejeitado pelo Senado, de maioria democrata.

A dificuldade para qualquer outro projeto passar pela Câmara ficou clara na aprovação do texto de Boehner, por 218 contra 210. A bancada republicana tem 247 deputados, mas 22 votaram conta o pacote. Nenhum dos democratas apoiou Boehner.

Mercado. O mercado de ações refletiu seu pessimismo, ontem, no pior desempenho desde agosto de 2010. O índice Dow Jones Industrial caiu 96,87 pontos ou 0,79%. O Standard & Poor 500 despencou 3,9%, depois de quatro quedas seguidas na semana. O índice Nasdaq Composite recuou 9,87 pontos ou 0,36%.

A ausência de um acordo sobre o aumento do teto da dívida, de US$ 14,3 trilhões, e o ajuste fiscal até o próximo dia 2 resultará na primeira suspensão de pagamentos federais da história americana e no rebaixamento da avaliação de risco de crédito do País, hoje com a nota máxima.

O presidente americano explicou, com didatismo, os efeitos da ausência de um acordo - ou de um acordo insuficiente - sobre a economia real, ainda abatida pela crise de 2008 e com ritmo lento demais. A suspensão de pagamentos, insistiu ele, recairá aos "cheques mensais da Previdência Social, os benefícios aos veteranos (de guerras) e os contratos que o governo assinou com milhares de empresas".

"Para aqueles que dizem se opor ao aumento de impostos, um grau menor de avaliação da dívida pode resultar em aumento de tributos para todo mundo na forma de taxas de juros mais altas das hipotecas, do financiamento do carro, do cartão de crédito. Isso é imperdoável".

O desempenho frustrante da economia americana já estava indicado nos dados do desemprego dos últimos meses. Em maio, a taxa voltou a crescer, depois de cinco meses em queda, e fechou em 9,1%. Em junho, subiu um pouco mais, para 9,2%. Ao jornal The Telegraphy, o economista Nouriel Roubini explicou haver ainda muita cautela e vulnerabilidade entre os consumidores americanos. "Diminuir a velocidade da economia não é um caminho suave", afirmou.

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