R$ 1,57 bi

E-Investidor: Tesouro Direto atrai mais jovens e bate recorde de captação

EUA: plano traz dúvidas e esperança

Os Estados Unidos já têm um plano trilionário para aliviar o passivo dos grandes bancos americanos. A dúvida é se vai dar certo e, mais ainda, se esse US$ 1 trilhão a mais será suficiente. Há mais incertezas do que esperança. O plano não é muito diferente do anterior, do governo Bush, que não deu certo. Mas a situação dos bancos agora é melhor, e isso poderia ajudar. Será, perguntam economistas céticos que criticam mas não apresentam alternativas variáveis.A melhor novidade do plano, diz o Wall Street Journal, é que Thimothy Geithner tem uma estratégia; a pior é que ele tem de convencer os americanos de que vai dar certo. Não vai ser fácil. Afinal, até agora pouco deu certo na limpeza do sistema financeiro. E não só americano. Os menos pessimistas dizem que, pelo menos, o plano poderá identificar, afinal, o valor do passivo com papéis podres.Todos concordavam, ontem, em um ponto: vai ser preciso mais do que esse US$ 1 trilhão. Pode não resultar no que se esperava e não apressar o passo, mesmo titubeante, no caminho da antirrecessão, mas pelo menos não ficou parado ou voltou atrás. Pode atenuar os efeitos da recessão neste ano.NÃO É BOM PARA NÓS Nem um pouco. O crédito externo continua se retraindo, o mercado mundial deve recuar em pelo menos 9% e nossas exportações fraquejam. O governo previa US$ 179 bilhões mas admite agora que não vai passar de US$ 141 bilhões. E isso se o comércio mundial se mantiver morno como está.Superávit? Acabou a euforia. No máximo, US$ 17 bilhões. E isso só porque, com o desaquecimento do mercado interno, estamos importando menos. Na verdade, a temperatura da economia está baixando. Chegou a 40 graus, e agora nem a 30.EXPORTAR É POSSÍVEL O governo deveria rever sua política exportadora neste momento, apesar da crise. Não apesar da crise, mas por causa dela. Como? Exportar mais em meio a essa recessão? Você enlouqueceu? - o leitor deve estar perguntando. Não. E repito os dados confirmados pela OMC nesta semana: No ano passado, o Brasil representou apenas 1,2% do comércio mundial!!! Está em 22º lugar entre os países exportadores. Nem é lanterninha. Está no banco de reservas. Podemos ocupar lá fora mais um cantinho num espaço que, mesmo encurtado, é ainda grande para nós. Falta financiamento externo. O crédito para o comércio exterior caiu US$ 100 bilhões de acordo com a OMC. E um pouco desse valor deixou de financiar os exportadores brasileiros. Falta uma política comercial agressiva. E isso, apesar da pasmaceira do Itamaraty, que, agora que retomar Doha... Quer "liberalizar"(!) o comércio mundial...FMI ASSUSTA Lá fora, tudo continua piorando.Os últimos indicadores do FMI assustam e preveem que ninguém escapa. Nem o Brasil. A economia mundial deve recuar este ano entre 0,5% e 1%. Vocês podem dizer que, afinal, não é uma queda tão assustadora. É. E muito porque, nesse cálculo, o PIB dos países mais desenvolvidos deverá recuar entre 3% e 3,5%! E são eles que carregam a economia mundial. Mais de 60% do PIB mundial. Se continuarem afundando, todo o esforço dos outros, dos emergentes e em desenvolvimento, será anulado. Eles afundam juntos.SARKOZY, A NOVIDADE O presidente francês se prepara para jogar a toalha do seu plano, mais centralizado no socorro ao sistema financeiro. Ele afirmou nesta semana que é preciso rever a estratégia francesa. Foi mais adiante, disse que algo novo deve ser decidido e anunciado pelo governo francês até o verão europeu (julho-agosto). Só não entendo por que esperar mais três meses...Há sinais também de que a Alemanha está revendo sua estratégia, embora o seu ministro das Finanças continue negando. E isso mesmo quando já se estima que o PIB do país pode cair entre 6% e 7% neste ano. O governo até parece feliz em admitir "apenas" 2,25%... Será que eles e a União Europeia vão apresentar uma proposta nova na reunião do G-20, no próximo dia 2, em Londres? Duvido. Devem continuar dizendo que a prioridade é reformar o sistema financeiro, como se fosse possível fazer um internado na UTI caminhar antes de lhe aplicar os remédios que salvarão a sua vida.Também nesta semana, o presidente do Banco Central Europeu afirmou que a Europa não precisa de mais incentivo fiscal. O que já fez é suficiente...MAIS APELOS INÚTEISObama fez novo apelo aos demais governos para que apliquem uma política fiscal agressiva a fim de estimular a demanda, como os Estados Unidos estão fazendo. Ele não propõe um plano único de todos os países.Sabe que é inviável com tantas divisões, mas pediu que cada um incentive a própria economia com os instrumentos que tem e pode criar. Endividamento e déficit fiscal, só se for estritamente necessário.Não há que escolher entre política fiscal e financeira. Ambas devem seguir juntas. Nesse caso não há prioridades isoladas. As duas são urgentes e essenciais para sair da recessão. E isso vale para o Brasil, que precisa, de uma vez por todas, parar de dizer que continuará crescendo e está pronto para evitar a recessão. Conversa.*E-mail: at@attglobal.net

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.