EUA podem não renovar benefício à exportação do Brasil

O representante de Comércio dos Estados Unidos, embaixador Ron Kirk, afirmou hoje que o Sistema Geral de Preferências (SGP), que dá tratamento especial a cerca de 15% das exportações brasileiras para os EUA, não pode ser renovado indefinidamente. A posição foi apresentada durante encontro do representante do governo Barak Obama com diretores da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília.

RENATO ANDRADE, Agencia Estado

17 de setembro de 2009 | 13h04

Segundo o presidente da CNI, Armando Monteiro Neto, a entidade defendeu a necessidade da renovação do sistema. "O que o embaixador disse foi que isso não pode ser uma muleta permanente nem algo vitalício", relatou Monteiro. "Passamos uma mensagem clara de que o Brasil quer a renovação do sistema, porque nós não temos um acordo de livre comércio com os EUA", disse.

A renovação do Sistema Geral de Preferências vem sendo discutida pelo Congresso norte-americano, onde alguns parlamentares defendem a exclusão de países como Brasil e Índia, que atualmente são vistos como nações que já alcançaram um determinado nível de desenvolvimento que justificaria o fim dos benefícios.

Apesar da posição expressa no encontro, o embaixador não quis manifestar sua opinião sobre o que o Congresso dos EUA definirá a respeito do tema. O diretor executivo da CNI, José Augusto Fernandes, que também participou do encontro, disse acreditar que o Brasil pode se beneficiar de uma renovação do SGP no fim deste ano. Isso seria possível em razão do volume excessivo de questões que estão sendo tratadas neste momento pelo Congresso norte-americano. Na avaliação de Fernandes, a pauta sobrecarregada do Congresso dos EUA poderia impedir a votação, mas, como a renovação atual do contrato é obrigatória, ela aconteceria automaticamente no fim deste ano, por um período de mais seis meses.

Além desse tema, Kirk e os diretores da CNI discutiram a possibilidade de parceria entre os dois países na produção de etanol, acordos para evitar bitributação no comércio bilateral e a retomada do debate sobre acordos de proteção e promoção de investimentos. A polêmica envolvendo a questão do algodão não foi tratada durante o encontro. No fim de agosto, a Organização Mundial do Comércio (OMC) autorizou o Brasil a impor retaliações comerciais aos EUA por causa dos subsídios do governo norte-americano aos produtores de algodão.

Na avaliação de Monteiro Neto, Kirk tem um perfil "pragmático" e está disposto a impulsionar o comércio entre os dois países. O embaixador tem encontro com o ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, às 14 horas, no Itamaraty. Depois, os dois darão entrevista coletiva.

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