EUA podem questionar subsídios à Airbus na OMC

Os Estados Unidos criticaram a União Européia por subsidiar a Airbus, sugerindo que podem levar a questão para a Organização Mundial do Comércio (OMC), disse uma autoridade do governo norte-americano. "Não consideramos esse o caminho correto para a União Européia gastar seu dinheiro", disse o secretário-assistente do Departamento dos EUA em Bruxelas, Samuel W. Bodman.A contenda sobre aeronaves está aumentando enquanto a Airbus desenvolve um controverso superjumbo e tira fatias de mercado da Boeing. Embora Bodman tenha dito que é a favor de um "acordo negociado" sobre os subsídios aos jatos, ele assinalou que a OMC oferece "uma forma de solução" para a disputa.A administração norte-americana e a Comissão da União Européia devem discutir os subsídios a aviões entre os dias 7 e 8 de novembro em Chicago. Na última rodada de negociações bilaterais não foi feito avanço significativo sobre o assunto.A Airbus está recebendo empréstimos garantidos pelo governo avaliados em US$ 3,5 bilhões para desenvolver o novo modelo, o superjumbo A380, disseram os EUA. O avião de dois andares, com capacidade para 555 assentos, vai ser a maior aeronave de passageiros do mundo, e deve desafiar o domínio do Boeing 747 em viagens de longa distância.A UE respondeu afirmando que a Boeing se beneficia de contratos militares. O bloco europeu diz que a ajuda à Airbus está dentro de um acordo feito em 1992. "Nós não garantimos nenhum subsídio ilegal à Airbus", disse Arancha Gonzales, porta-voz do comissário para o Comércio da UE, Pascal Lamy.O disputa remonta a um acordo feito em 1992, que permite que sejam gastos bilhões em subsídios para as fabricantes de aviões Airbus e Boeing. Sob o acordo, os governos podem financiar até 33% dos custos de desenvolvimento para programas de novos aviões através de empréstimos repagáveis. O acordo também estabelece diretrizes para subsídios indiretos, como os contratos de defesa, em 3% das vendas.Contudo, o acordo de 1992 está aberto a várias interpretações. A UE argumenta que os bilhões de ajuda à Airbus seguem os parâmetros do acordo porque o dinheiro é destinado à pesquisa. O governo dos EUA afirma que a Airbus tem mais da metade dos pedidos para novos aviões e não precisa mais de ajuda do governo.Um recente pedido da EasyJet PLC, revelado neste mês, para comprar 120 aviões de Airbus, mais um opção para 120 outros, reabriu a discussão. A Airbus está a caminho de atingir metas de entrega de 300 aviões por ano.A Boeing está passando por tempos duros. Recentemente a empresa anunciou queda de 39% nas entregas de aeronaves no terceiro trimestre. A Boeing tem metas de entregar entre 275 e 285 aviões em 2003 e 2004.

Agencia Estado,

28 de outubro de 2002 | 22h49

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