Renda extra

Fabrizio Gueratto: 8 maneiras de ganhar até R$ 4 mil por mês

EUA precisam de novo estímulo

Há certo alívio e até algum otimismo a respeito dos sinais de que a economia americana está saindo da recessão. No Congresso americano, já se fala em congelar parte do pacote de estímulo fiscal que ainda não foi usado. Isso já vem preocupando economistas e analistas mais prudentes, para os quais o pacote de estímulo fiscal foi decisivo para conter a maior recessão das últimas décadas e compensar parte da perda dos últimos dois anos.Entre eles, está o economista-chefe para a América do Norte do BNP-Paribas, Brian Fabbri. Ele está cauteloso."A recessão nos Estados Unidos terminou no segundo trimestre. No segundo semestre deste ano, a previsão é de que o PIB (Produto Interno Bruto) cresça 1,5%", diz o executivo. "A recuperação provavelmente será a mais lenta do período pós-2ª Guerra Mundial porque as famílias têm ainda dívidas demais, as empresas resistirão a contratar novos trabalhadores, cautelosas com as incertezas da futura legislação", prevê.MAIS ESTÍMULONão é hora, então, de reduzir o esforço fiscal que vem onerando os déficits do governo americano? Não, responde Brian Fabbri."Se as autoridades reduzirem cedo demais o total dos estímulos monetários e fiscais, elas podem levar a economia de uma recuperação para uma nova recessão." Ele esclarece que o setor externo continuará sendo um entrave ao crescimento econômico nos próximos trimestres. "O plano de Obama não alcançou suas intenções. Eu acredito que o governo terá de criar um novo plano de estímulo fiscal para começar no próximo ano a fim de acelerar o crescimento econômico."Ou seja, sem maior apoio do governo do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, além do que já está fazendo, a economia americana corre o risco de recair na recessão. DESAFIOS DO BRASILQuem conversa com a coluna sobre o Brasil neste cenário ainda sombrio é Alexandre Lintz, estrategista-chefe para América Latina do BNP Paribas, em São Paulo.A perspectiva macroeconômica para os Estados Unidos e outros países avançados indica que 2010 será um ano desafiador, avalia ele. "Não há dúvida de que o Brasil está bem posicionado. A baixa alavancagem da economia, a eficácia do BC (Banco Central) em conter a crise financeira no mercado doméstico e a robustez do balanço de pagamentos são alguns elementos que suavizarão o impacto da crise internacional em nossa economia", afirma Alexandre Lintz."O cenário internacional mais adverso, porém, terá implicações importantes na economia brasileira. Do lado do crescimento econômico, as exportações de manufaturados terão um desempenho fraco, limitando a recuperação de investimentos e do mercado de trabalho", diz ele. "Em tal cenário, pressões inflacionárias se manterão limitadas, levando o Banco Central não apenas a manter a taxa de juros em patamar baixo, mas também a promover cortes adicionais da Selic (taxa básica de juros) em um futuro próximo", considera.REAÇÃO FUNCIONOUPara o estrategista do BNP-Paribas, o governo brasileiro tem reagido de forma a conter a crise não apenas do lado monetário, mas também no fiscal.Ele ressalta que "grande parte da queda do superávit primário ocorreu em função da redução da arrecadação tributária, refletindo a desaceleração econômica". "O impacto fiscal este ano foi elevado e a recuperação econômica lenta esperada para 2010 (projetamos uma expansão de apenas 3,5% do PIB) indica que a recuperação da arrecadação será gradual."Portanto, para que as metas fiscais sejam atingidas, gastos públicos terão de ser contidos."Existem algumas cartas na manga a serem utilizadas, como o 0,5% do PIB do fundo soberano, mas isso não evitará que a taxa de expansão dos gastos públicos tenha de ser reduzida em 2010", conclui Alexandre Lintz.COMÉRCIO DESFAVORÁVELComo seu colega, Alexandre Lintz vê no comércio exterior um desafio também para o Brasil. "Com o crescimento do desemprego global, a competição internacional, assim como as barreiras comerciais, serão menos favoráveis para o Brasil", disse."Para evitarmos perda de participação das exportações brasileiras, e, consequentemente, minimizar o impacto no nosso mercado de trabalho, será necessário retomar a agenda de reformas microeconômicas de forma a garantir novas rodadas de ganho de produtividade e, consequentemente, de ganho de competitividade do País", afirmou.Dessas observações, pode-se concluir que a economia dos Estados Unidos está se recuperando, mas lentamente, e vai exigir ainda um grande esforço fiscal do governo para não recair na recessão. Já a economia brasileira, mesmo sentindo impacto menor, continuará sendo afetada pela recessão mundial. Ela foi contida, mas ainda não passou. Em ambos os casos, o papel do governo continuará sendo decisivo. Há muitos desafios ainda a enfrentar. Se a recessão está passando, o crescimento ainda não não chegou. *E-mail: at@attglobal.net

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.