EUA precisam de novo estímulo para manter recuperação

Para o economista ganhador do Nobel Joseph Stiglitz, segundo pacote é fundamental para crescimento do país

Suzi Katzumata, da Agência Estado

21 Janeiro 2010 | 16h55

A economia dos EUA precisa de um novo estímulo diante de um crescimento que é muito fraco para gerar empregos suficientes para baixar a taxa de desemprego, disse o economista ganhador do Nobel Joseph Stiglitz.

 

"A coisa mais importante que podemos fazer (pela economia) é aprovar um segundo estímulo", disse Stiglitz em um fórum econômico do Council on Foreign Relations em Washington.

 

O professor da Universidade Columbia e ex-economista-chefe do Banco Mundial disse que a economia dos EUA "foi afastada do precipício", mas "eu não acho que ninguém vá descrever a situação atual como uma forte recuperação".

 

Stiglitz acrescentou que, oficialmente, a recessão pode ter acabado mas que "em termos da forma como o indivíduo sente" e o nível de confiança das empresas, "a recessão está longe do fim". "O fator real é que a recuperação não tem sido forte o suficiente para criar novos empregos", disse.

 

Stiglitz, que também serviu como conselheiro do ex-presidente Bill Clinton, disse que embora a taxa de desemprego oficial esteja em 10%, se for somado o número de trabalhadores que desistiram de procurar emprego e os "subempregados" essa taxa sobe para ao redor de 19%.

 

Tamanho da recuperação

 

Porque a força de trabalho está crescendo e a produtividade está aumentando, a economia precisa crescer pelo menos de 3% a 3,5% para reduzir o desemprego, disse Stiglitz, acrescentando que isto é algo improvável em 2010 e 2011. "Será difícil ter uma recuperação robusta", disse.

 

Stiglitz disse que por causa dos problemas na Europa, a economia dos EUA terá mais dificuldade em ganhar força: "Não podemos exportar nossa saída da crise", disse.

 

Embora a Ásia "seja muito dinâmica, (a região) é também muito pequena para compensar o buraco", acrescentou. "Isso deixa apenas uma coisa para fechar a lacuna e isso é o governo."

 

Stiglitz disse que o pacote de estímulo de US$ 787 bilhões aprovado no ano passado foi positivo, mas muito pequeno. "Se não tivéssemos aquele estímulo, a taxa de desemprego estaria em 11 ou 12 por cento", disse. "(O estímulo) não foi grande o suficiente, isso está claro no retrospecto e não foi bem concebido", acrescentou.

 

O economista disse que embora o pacote tenha elevado os gastos do governo federal, "quase a metade do estímulo federal foi compensado pela contração (dos gastos) ao nível estadual e local".

 

Dólar

 

O declínio do papel do dólar como moeda de reserva global pode ser bom para a economia dos EUA, potencialmente impulsionando a competitividade americana e os empregos, disse Stiglitz.

 

Ele disse que o movimento para reduzir a importância do dólar como moeda de reserva global é inevitável, mas pode proporcionar mais benefícios do que desvantagens.

 

Stiglitz observou que a China e outras nações têm expressado temores sobre a dependência da economia global em relação ao dólar. "Vamos sair do sistema dólar... A questão real é em que velocidade e se faremos de forma ordenada ou desordenada", disse.

 

O economista disse que os americanos veem a vantagem do sistema de reserva em dólar como a capacidade de tomar empréstimos com baixa taxa de juro, mas também existe "o outro lado da moeda". "Se as pessoas estão comprando dólares, o que estamos fazendo na realidade é exportando dólares ao invés de exportar bens", disse.

 

"Quando você exporta T-bills (Treasuries), você não cria empregos e, portanto, o déficit comercial contribui para a fraca economia e parar nosso problema com empregos."

 

Stiglitz disse que o dólar provavelmente será substituído de alguma maneira e acrescentou que "se fizermos isso da forma certa, vai aumentar a demanda global agregada e será um benefício para os EUA".

 

As informações são da Dow Jones.

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