EUA pressionam Argentina na renegociação da dívida

Embora a Argentina esteja cumprindo rigorosamente as metas monetária e fiscal acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI), o organismo não baixa a guarda e exige do governo uma melhoria na oferta de renegociação da dívida. Prova disso, foi a advertência feita pelo secretário do Tesouro dos Estados Unidos, John Snow: "Instamos a Argentina e seus credores a que se reúnam e tratem de trabalhar e instamos ao país para que cumpra com seus compromissos". A frase de Snow foi em resposta à uma pergunta do público, depois de dissertar na Faculdade de Direito da Universidade George Washington, ontem, no mesmo dia em que a diretoria do FMI se reuniu informalmente para resolver se aprovará ou não a segunda revisão de metas da Argentina na reunião do próximo dia 15. Mas o organismo decidiu postergar uma definição sobre o caminho da segunda revisão até a data marcada para a reunião oficial. Com isso, o governo argentino não conseguiu obter o "sinal claro" que desejava ter antes de pagar o vencimento de US$ 3,1 bilhões no próximo dia 9. Estima-se que haverá dias de fortes tensões entre o país e o organismo, já que o presidente Néstor Kirchner quer ter a certeza de aprovação da revisão de metas, antes de mandar pagar, enquanto que o FMI quer uma demonstração de "boa fé" da Argentina ao pagar o que deve, mesmo sem a aprovação prévia das metas. A atitude do FMI e as declarações de John Snow tem um objetivo: que o ministro Roberto Lavagna reconheça a legitimidade do Comitê Global de Credores da Argentina (CGAB, conforme sua sigla em inglês) para negociar em nome dos inúmeros detentores de bônus em default que a entidade representa. Segundo uma fonte do FMI, não é só redução de 75% do valor da dívida que está incomodando os países do G-7, os principais sócios do FMI, mas também a demora no proceso de negociação e a falta de "boa vontade" de Roberto Lavagna de sentar-se para negociar com os credores, principalmente o CGAB, o qual possui o maior número de credores reunidos. Nesse sentido, a cada dia, o país ganha mais um opositor dentro do organismo, podendo impedir a aprovação de suas metas, como é o caso da Itália, Inglaterra e Japão, que já votaram contra a Argentina em janeiro passado. Agora, o Canadá e a Alemanha também demonstram uma tendência contrária ao país, enquanto que os Estados Unidos decidiu endurecer sua posição com o governo.

Agencia Estado,

04 Março 2004 | 09h30

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