EUA pressionam Mercosul para a formação da Alca

O governo dos Estados Unidos deu início às pressões para que os presidentes que participarão da Cúpula das Américas assumam algum compromisso formal para a formação da Alca-Área de Livre Comércio das Américas. Um dos principais pontos de discórdia nas negociações entre os representantes dos governos participantes diz respeito à uma menção favorável à Alca no documento final que os presidentes vão assinar no dia 5 de novembro, em Mar del Plata. "O Mercosul não negocia sob pressão", garantiu uma alta fonte da Chancelaria argentina ao jornal Página 12.Ontem, o vice-chanceler, Jorge Taiana, afirmou aos correspondentes estrangeiros que a "Alca, como está, não atende aos interesses da Argentina". Ele disse que o Mercosul está unido nessa negociação e que não vai assinar nenhum compromisso sem que haja um benefício para o bloco. "Se o balanço entre o que nos oferecem e o que nos pedem não é benéfico para a Argentina, não avançaremos em uma negociação", afirmou Taiana. A tentativa de formação de uma ampla área de livre comércio teve início em 1994.Com o fracasso das negociações até o momento, o governo norte-americano aposta todas as fichas para retomar o assunto durante a Cúpula em Mar del Plata. A idéia é apoiada também pelo Canadá e México, que fazem parte do Nafta junto com os Estados Unidos, e Chile, que fechou um acordo bilateral com o bloco.O embaixador John F. Maisto, negociador dos EUA, deseja reabrir as negociações a partir do próximo ano. Porém, mais de uma voz entre os negociadores argentinos e brasileiros repetem em coro que o "Mercosul não negociará nada enquanto os Estados Unidos não se comprometerem a eliminar seus subsídios agrícolas". A resposta da diplomacia do bloco regional mudaria em novembro somente se houver alguma novidade na proposta norte-americana.

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