EUA: previsão de corte de 50 pontos-base nos juros

Os futuros de Fed Funds, papéis que refletem a taxa de juros de curto prazo nos EUA, estão apontando desde segunda-feira para uma probabilidade cada vez maior de um movimento agressivo por parte do FED, banco central dos EUA, em afrouxar a política monetária na sua reunião do próximo dia 20. Mais do que qualquer indicador econômico negativo, a expectativa de um corte de juros de pelo menos 50 pontos-base tornou-se mais forte desde a segunda-feira passada, depois que a Nasdaq - bolsa que negocia papéis de empresas de tecnologia e Internet - voltou a despencar, afetando psicologicamente investidores e outros agentes econômicos. Depois da queda de 1,6% ontem, a Nasdaq acumula queda de 61,5% em relação ao seu pico, atingido em 14 de março do ano passado. Apesar disso, esse índice representa uma parcela pequena do mercado acionário. O índice S&P 500, por exemplo, tem um peso de 80% no valor de mercado das bolsas dos Estados Unidos", disse à Agência Estado Charles Reinhard, estrategista-senior de investimentos do banco Lehman Brothers. Ele, no entanto, admite que o mercado acionário como um todo esteja realmente num período de baixa, com o S&P acumulando uma correção de cerca de 20% nos últimos doze meses. Para Cary Leahey, economista-senior para Estados Unidos do Deutsche Bank, a correlação entre as bolsas e a economia existe e o impacto dessa correção do mercado acionário já foi sentido. "As bolsas atingiram um pico há cerca de doze meses ao mesmo tempo que o PIB norte-americano caiu de um patamar de crescimento de 6% ao ano naquela época para uma taxa atual um pouco acima de zero", disse Leahey, ressaltando que correlação nem sempre significa causa. Outros fatores contribuíram para que a economia dos EUA perdesse o fôlego de crescimento registrado na década de 90. "A alta do petróleo no ano passado afetou todas as economias industrializadas", disse John Fitzgibbon, diretor do site Worldfinancenet.com. Já Peter Lynch, vice-presidente da empresa de gestão de recursos Fidelity, lembra que as pessoas não deveriam estar tão surpresas com a correção observada nas bolsas. "Nos últimos 100 anos, tivemos 57 quedas nos preços das ações acima de 10% na bolsa".Na opinião de Charles Reinhard, do Lehman Brothers, "estamos mais próximos da recuperação do que muitos analistas apregoam". Ele calcula que o mercado esteja subvalorizado em 20%. "A correção observada nas ações do setor de tecnologia acabou se refletindo numa queda dos lucros das empresas e na redução da atividade econômica registrada no final de 2000. No entanto, o mercado deverá se recuperar antes de os lucros melhorarem e a economia retomar maior nível de crescimento", disse.

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