EUA quer tratamento de país desenvolvido para Brasil em agro

Produtores agrícolas dos Estados Unidos pedem que o governo de Washington passe a tratar o Brasil oficialmente como um país desenvolvido no setor agrícola. Negociadores dentro do governo brasileiro admitem que existe a possibilidade de se aceitar tal condição. Apesar de resistências no Ministério da Agricultura e no Ministério do Desenvolvimento Rural, certos diplomatas e mesmo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) apontam que estariam prontos para aceitar o status na Organização Mundial do Comércio (OMC), mas apenas se europeus e americanos cortem suas tarifas e reduzam seus subsídios. Nos Estados Unidos, associações de produtores de soja, açúcar e outros 14 produtos enviaram uma carta ao governo americano para que exija do Brasil um comportamento equivalente ao de um país desenvolvido quando o tema tratado é a agricultura. TemorO temor dos produtores americanos é de que o Brasil, no futuro, venha a financiar sua produção já competitiva. Os produtores de soja nos Estados Unidos, por exemplo, se queixam dos perdões de dívidas dadas pelo governo brasileiro ao setor. Para os americanos, um país deveria ser considerado como desenvolvido caso tenha uma participação no mercado mundial acima de 5%. O Brasil ocupa essa posição em áreas como açúcar, certas carnes e soja. No Itamaraty, há quem defenda aceitar essa situação de país desenvolvido. Mas com uma condição: que tanto americanos como europeus cortem suas tarifas de importação e reduzam de forma drástica seus subsídios. Essa seria uma forma de garantir as mesmas condições de concorrência para todos. CompromissoRepresentantes da CNA que estiveram em Genebra esta semana também apontam que estariam dispostos a aceitar a proposta de ser considerado como um país desenvolvido. Isso significaria que o País teria de adotar compromissos similares aos dos Estados Unidos e Europa em termos de subsídios. Para a CNA, o Brasil não subsidia nem o que é permitido e, portanto, não teria problemas em aceitar essa condição. O problema está em setores como o da Agricultura Familiar, que não quer ver o espaço para a implementação de políticas públicas reduzido. DesestabilizaçãoEnquanto isso, agricultores da Europa alertam que o potencial agrícola brasileiro poderia "desestabilizar" a agricultura mundial, gerando perdas de empregos e o êxodo rural. "Se houver um livre comércio na agricultura, os fazendeiros europeus estarão desempregados no dia seguinte diante competitividade natural do Brasil", afirmou o presidente das Cooperativas Agrícolas da Europa, Donal Cashman. Para ele, o Brasil precisa reduzir suas ambições tanto na OMC como nas negociações entre o Mercosul e União Européia (UE). Na avaliação de Rudolf Schwarzbock, presidente da Confederação Agrícola Européia, o Brasil já aumentou em 20% suas exportações para a Europa mesmo sem um acordo. Mas os europeus alertam que o aumento das exportações no País não incrementou a situação dos agricultores nacionais. "Os benefícios vão para os grandes investidores. O aumento das exportações agrícolas no Brasil não resolve o problema do emprego no país e o resultado de uma liberalização seria ainda o desemprego em outras economias", afirmou Schwarzbock. Para ele, os pequenos agricultores brasileiros não se sentem representados na estratégia comercial do País. "O Brasil está sempre pedindo mais, mas indicamos já à Comissão Européia que não podem flexibilizar suas posições pois não tem o direito de exceder ao mandato que foi dado aos negociadores", completou.

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