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EUA querem destravar Doha

Representante de Comércio de Obama, Ron Kirk, faz hoje sua primeira visita à Organização Mundial do Comércio

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

11 de maio de 2009 | 00h00

Cinco meses depois de tomar posse, o governo de Barack Obama finalmente dará seus primeiros passos no campo comercial e na tentativa de fechar a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC). Hoje, o representante de Comércio de Obama, Ron Kirk, inicia sua primeira visita à OMC. No fim de semana, se reuniu com europeus para traçar um plano para tentar levar a Rodada a uma conclusão. O Brasil vai deixar claro sua posição: o governo americano precisa mostrar liderança e acabar com o silêncio mantido até agora sobre qual será sua estratégia comercial.A Rodada Doha foi lançada em 2001 e o ex-presidente George W. Bush passou todo seu mandato prometendo flexibilizar suas posições para fechar um acordo. No ano passado, exatamente a Casa Branca impediu um entendimento, depois que governos de todo o mundo já estavam prontos para assumir as consequências de um acordo de liberalização.Com os democratas no poder, o temor dos países emergentes é de que as condições para um acordo fiquem ainda mais difíceis. Durante a campanha, tanto Hillary Clinton - hoje secretária de Estado - como Obama rejeitaram assinar acordos que não trouxessem vantagens aos trabalhadores americanos, chegando a sugerir uma revisão completa dos termos de acordos na OMC. O próprio governo Obama já deixou claro que, em um acordo, terá de ter maior acesso aos mercados de países emergentes, entre eles o Brasil. O preço pago por um acordo, portanto, seria maior para as economias em desenvolvimento, que teriam de aceitar produtos americanos. Essa indicação gerou preocupações entre as diplomacias dos países emergentes. Mas, com a recessão mundial, Obama sabe que precisará também dar uma resposta e ainda garantir sua promessa de que quer fortalecer o sistema multilateral. Há uma semana, em seu primeiro discurso sobre política comercial, Kirk deu seus primeiros recados. Além disso, fechou um acordo sobre o comércio de carnes com a Europa, colocando um fim a uma disputa de 13 anos. O acordo foi visto como um sinal de que a Casa Branca quer negociar.OMCComo de praxe, garantiu que os EUA estão comprometidos com a OMC e com a conclusão da Rodada. Kirk ainda anunciou que trabalharia para garantir uma agenda comercial "robusta e responsável". "Esse não é o momento de ser tímido", afirmou, em um discurso na Universidade de Georgetown. "Esse é o momento de reviver o comércio mundial."Segundo a OMC, o comércio mundial deve cair 9% em 2009. Já o Banco Mundial estima uma queda de 12%. Desde a eclosão da crise, as exportações americanas foram reduzidas em 16%. Pascal Lamy, diretor da OMC, estima que a conclusão da Rodada poderia amenizar perdas. Em Genebra, a maioria dos países está pronta para fechar um acordo até o fim do ano. Mas alertam que dependerá de como Obama reagirá. Se de um lado diplomatas estrangeiros mostram certa esperança com o novo governo, de outro temem que o discurso positivo de Obama não se traduza em concessões. Diante da recessão, a Casa Branca está sendo pressionada a não abrir seu mercado. Na mesa, está já um acordo quase pronto e que apenas os americanos se recusaram a assinar em 2008. O temor de muitos é de que os EUA queiram agora rever essas propostas. Se isso ocorrer, toda a negociação desmoronaria e pelo menos mais dois anos seriam necessários para chegar a um entendimento.O Brasil deixou claro que não aceitará uma reabertura dos pontos do acordo. Se isso ocorrer, também terá de rever sua posição, o que acabará fazendo com que haja uma atraso em todo o processo. O entendimento sobre a mesa é considerado como positivo pelo Itamaraty, pois prevê limitação nos subsídios agrícolas e garante aumento modesto em acesso aos mercados para as exportações nacionais. Em contrapartida, o Brasil terá de reduzir impostos de importação. O que os EUA querem é que o corte do Brasil e de outros emergentes seja mais profundo.

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