EUA querem diálogo bilateral para impulsionar Rodada Doha

Os Estados Unidos querem negociar diretamente com seus grandes parceiros comerciais para impulsionar a Rodada Doha da Organização Mundial de Comércio (OMC), disse o representante de Comércio norte-americano, Ron Kirk, nesta quinta-feira.

JONATHAN LYNN, REUTERS

25 de junho de 2009 | 12h13

Kirk declarou em entrevista à imprensa que continuar com as negociações pela tradicional estratégia multilateral não vai mais funcionar.

"Acreditamos que temos de começar com uma sincera avaliação de que prosseguir pelo mesmo caminho que temos trilhado nas três últimas rodadas vai muito provavelmente produzir o mesmo resultado. E isso seria um fracasso na busca por uma conclusão bem-sucedida", afirmou.

Kirk também pediu aos grandes países emergentes, como o Brasil, China e Índia, que abram seus mercados para mais mercadorias estrangeiras, para ajudarem na formatação de um acordo.

Os grandes países em desenvolvimento resistem a esse pedido como também à investida por conversações bilaterais, que eles temem seriam usadas pelos EUA para reabrir o pacote incompleto com o qual concordaram os ministros de comércio em julho do ano passado, como base para um acordo em Doha.

A maioria dos 153 países-membros da OMC vê aquele pacote como o ponto inicial para a finalização de um acordo nas negociações, iniciadas em 2001 com o objetivo de liberalizar o comércio mundial e ajudar os países pobres a exportarem mais.

Mas Kirk disse que os EUA não têm ideia clara de qual benefício poderiam obter porque as muitas exceções previstas em um tratado abrangente tornariam esse acordo opaco.

RELACIONAMENTO SAUDÁVEL

Kirk afirmou não acreditar que as recentes acusações trocadas pelos EUA e China no âmbito da OMC sejam um sinal de crescente tensão no comércio.

"Resolução de controvérsias é um sinal saudável de um relacionamento comercial maduro", disse ele.

Os EUA e a União Europeia apresentaram queixa contra a China na terça-feira por restringir a exportação de matérias-primas usadas pela indústria chinesa.

A China também pediu a um painel da OMC que resolva uma disputa com os EUA sobre importação de carne de frango.

"Nós e a UE estamos muito esperançosos de poder envolver a China em uma discussão mais substancial que nos permitirá resolver isso", afirmou ele. Kirk advertiu, porém, os paises europeus de que os EUA não hesitarão em contestar legalmente a ajuda para o novo jato de passageiros Airbus 350 e o avião militar A400M.

"Se eles levarem isso adiante, vamos responder rapidamente e apresentar uma nova queixa na OMC", acrescentou.

A UE, por sua vez, entrou com uma queixa contra o apoio dado pelos EUA à Boeing.

(Reportagem adicional de Tamora Vidaillet)

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