EUA reafirmam propostas e rejeitam as do G20 na OMC

Os Estados Unidos reafirmaram nesta sexta-feira suas propostas agrícolas e industriais para levar adiante a Rodada do Desenvolvimento de Doha, no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC), enquanto desprezaram as feitas pelo Grupo dos Vinte (G20) e que pretendem ser uma base de entendimento comum."O G20 propõe grandes cortes nas ajudas internas que distorcem o comércio, mas carece de suficiente acesso aos mercados para conseguir os objetivos de uma rodada comercial de desenvolvimento", criticou hoje o secretário de Agricultura dos EUA, Mike Johanns, que afirmou que para seu país a chave é a abertura de novos mercados.Mais de 60 ministros dos 149 países da OMC iniciaram nesta sexta-feira seu segundo dia de reuniões em Genebra, que podem prolongar-se até domingo, para tentar determinar os números e fórmulas para aplicar cortes tarifários às importações de bens agrícolas e industriais.Os EUA estão presentes nesta reunião com uma delegação liderada pela nova representante de Comércio, Susan Schwab, e por Johanns. Para o secretário de Agricultura americano a oferta realizada pelo G-20 - que reúne os países em desenvolvimento, a maior parte da América Latina e liderada pelo Brasil - "é vulnerável a lacunas jurídicas que darão como resultado menos e não mais acesso aos mercados".O G20 propôs em outubro que os países cujas medidas de apoio interno à agricultura chegam aos US$ 60 bilhões façam cortes de 80%. Naqueles em que esses subsídios se situam entre US$ 10 bilhões e US$ 60 bilhões, os cortes seriam de 75%. Para os países que concedem até US$ 10 bilhões nesse tipo de ajuda interna, o corte seria, segundo a iniciativa do G20, de 70%.Em acesso a mercados, este grupo de Estados com economias emergentes sugere que os países desenvolvidos façam um corte médio de suas tarifas de 54%, enquanto os países em desenvolvimento estariam submetidos a um corte máximo de 36% como média.Os EUA, por sua parte, apresentaram também em outubro uma iniciativa em dois períodos. No primeiro, seriam aplicados cortes significativos nas tarifas e nas ajudas diretas por um período de cinco anos. Depois se passaria à outra fase, na qual se procederia à total eliminação das políticas que distorcem o comércio agrícola.Na primeira etapa dessas reformas, os países desenvolvidos reduziriam suas tarifas entre 55% e 90%, e também se determinariam os chamados produtos sensíveis, que para Washington não deveriam ir além de 1% do total de todas as linhas submissas a tarifas.A oferta americana para redução de ajudas internas à agricultura é de 60% para as que distorcem o comércio agrícola.Johanns insistiu nesta sexta-feira que a iniciativa de seu governo "cumpre com as promessas de Doha, e infelizmente as outras carecem da ambição suficiente". Ele ressaltou que Washington "mantém seu compromisso de chegar a um acordo em agricultura, simplesmente porque é o que é preciso fazer e porque tirará milhões de pessoas da pobreza".O negociador americano se referiu também ao fato de que "só 40% dos agricultores americanos recebem subsídios internos, e os demais não recebem nada". "Os EUA estão dispostos a negociar, mas necessitamos de uma proposta equilibrada sobre a mesa, e, embora até o momento não haja nenhuma, não vamos deixar de trabalhar com nossos parceiros para conseguir uma", acrescentou Johanns.

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