EUA: regras para mercado de ações

Os alertas sobre as perspectivas de lucros das empresas americanas devem se tornar mais comuns com as novas regras para divulgação de informações. Em 23 de outubro, entram em vigor as normas estabelecidas pela Securities & Exchange Commission (SEC) para impedir a chamada divulgação seletiva - a divulgação de dados mais detalhados apenas para um grupo de investidores selecionados.A intenção do xerife do mercado americano é fazer com que o investidor individual e o melhor analista de Wall Street tenham acesso às mesmas informações sobre as empresas de capital aberto. A SEC estabeleceu que as companhias devem divulgar para todo o mercado todos os dados fornecidos em reuniões fechadas com analistas, por exemplo. As empresas também terão de dar livre acesso em suas teleconferências, inclusive para a mídia. Segundo o diretor da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), Joubert Rovai, ao projetar os resultados futuros de uma companhia, o analista costuma consultar um diretor para saber se suas premissas estão plausíveis, ou se merecem ser revistas. No entanto, com as novas regras as empresas não poderão mais guiar os analistas em particular sobre os seus números. Qualquer iniciativa desse tipo terá de ser tornada pública. Dessa forma, as surpresas sobre os resultados das empresas devem aumentar. O diretor da Thomson Financial Karson, Valter Faria, explicou que o contato individual entre analista e empresa reduz a divergência entre as projeções dos resultados dos analistas. As companhias acabavam guiando individualmente os analistas, que acabavam mostrando estimativas muito fora da realidade. Uma amostra do que os alertas sobre lucros podem causar no mercado foi presenciada recentemente, quando a Intel, fabricante de chips para computadores, anunciou que sua receita do terceiro trimestre ficará abaixo do previsto. No dia seguinte, a empresa viu suas ações caírem 22%.Conseqüências opostasO gerente do Citigate Dewe Rogerson, Curtis L. Smith, acredita que as novas regras da SEC podem provocar duas conseqüências opostas no comportamento das empresas. Uma delas é uma grande ampliação dos dados fornecidos e divulgação de comunicados para todas as informações novas.Smith destacou que não será configurado como "divulgação seletiva" o contato com a mídia. Assim, um diretor poderá divulgar informações por meio de uma entrevista para um órgão de imprensa. Ele citou uma pesquisa realizada no ano passado pelo National Investor Relations Institute (NIRI), dos Estados Unidos. A pesquisa mostrou que 83% das companhias americanas realizam teleconferências para comentar seus resultados trimestrais. No entanto, apenas 14% convidam a mídia para participar do evento.

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