EUA rejeitam responsabilidade pelo fracasso da Rodada de Doha

A representante de Comércio Exterior americana, Susan Schwab, rebateu nesta sexta-feira as críticas do comissário de Comércio europeu, Peter Mandelson, rejeitando as acusações de que os Estados Unidos tenham sido responsáveis pelo fracasso da última cúpula da Rodada de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC)."Os Estados Unidos lançaram as negociações em 2001 e asressuscitaram em 2005. É um pouco estranho que nos culpem em 2006 por elas não terem sido concluídas", disse Schwab em entrevista coletiva no Clube Nacional de Imprensa, em Washington.Mandelson acusou na quinta-feira os Estados Unidos de ser o único membro importante da OMC que não ofereceu a flexibilidade necessária na sessão ministerial da semana passada em Genebra, que não obteve avanços na Rodada de Doha para a liberalização do comércio.O comissário europeu disse em Estrasburgo que esperava uma oferta americana para cortar os subsídios agrícolas, e que, em vez disso, Washington pediu concessões "significativas" aos outros países, em troca de apenas "manter" sua atual proposta, que "todos os demais consideram insuficiente".A proposta dos EUA é composta por duas etapas. Na primeira,seriam aplicados cortes significativos nas tarifas e nos subsídios diretos por um período de cinco anos. A segunda fase seria a eliminação total das políticas que distorcem o comércio agrícola.Segundo Schwab, os EUA expressaram em várias situações na semana passada a disposição de modificar as concessões feitas aos agricultores americanos, mas faria isso apenas se os outros países reduzissem suas barreiras para a entrada de alimentos americanos.Troca de acusações Apesar de dizer que não gostaria de entrar no "jogo de acusar o outro", Schwab apontou para a União Européia e o G20 - que inclui países em desenvolvimento liderados por Brasil e Índia -, diante do fracasso da cúpula de Genebra.A alta funcionária afirmou que a União Européia havia afirmado estar pronta para melhorar sua oferta de ampliação do acesso a seu mercado, mas considerou a nova proposta "muito vaga e cheia de lacunas".Schwab também denunciou que algumas nações que estão em estágio "avançado" de desenvolvimento reivindicam um tratamento diferente nas negociações e se "defendem" nas nações mais pobres, que "claramente" deveriam receber certos benefícios, segundo o acordo."É de se esperar que brasileiros, chineses e indianos participem destas negociações", disse.Na opinião de Schwab, não houve disposição suficiente paranegociar com seriedade na cúpula de Genebra, que reuniu 60representantes dos 149 países que fazem parte da OMC.Apesar das críticas, a representante de Comércio Exterior dos EUA não considerou a rodada um fracasso, e afirmou que a diferença entre o discurso público as conversas particulares dos negociadores fazem com que acredite que "existe potencial suficiente para um bom acordo"."Os Estados Unidos estão empenhados na conclusão da Rodada de Doha ainda este ano", afirmou Schwab, sem falar sobre novas ofertas.Schwab, assim como Mandelson, não descartou a possibilidade da realização de outra cúpula ministerial em Genebra no final de julho, para tentar retomar as negociações.A reunião do G8 que acontecerá em São Petersburgo, de 15 a 17 de julho, será outra oportunidade de injetar oxigênio no processo de negociações.Scwab destacou a importância de uma mensagem de alto nível sobre a determinação do G8 em concluir as negociações de Doha, mas que ainda restam vários detalhes que deverão ser definidos em nível ministerial e técnico, o que, na sua opinião, deve ser feito o mais rápido possível. "Estamos ficando sem tempo. Não há dúvida", disse.Em 1º de julho de 2007 expira a Autoridade de Promoção Comercial (TPA, em inglês), sem a qual, na prática, o Governo dos EUA não pode negociar pactos comerciais.A TPA impede o Legislativo de apresentar emendas aos pactos, permitindo apenas que um texto seja rejeitado ou aprovado na sua totalidade, razão pela qual a data limite para um acordo na OMC é o final de 2006, para permitir sua tramitação antes de 1º de julho de 2007."Talvez haja uma extensão da TPA, mas eu não apostaria nisso", alertou Schwab.

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