EUA retomam subsídios sem negociar com Brasil

Durou apenas 10 dias a suspensão dos subsídios do governo americano aos produtores agrícolas. Na última segunda-feira, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) informou que os recursos do programa de crédito à exportação, conhecido como GSM, estavam novamente disponíveis em outras condições. As mudanças não foram negociadas com o Brasil.

RAQUEL LANDIM, Agencia Estado

24 de abril de 2010 | 09h24

A suspensão desses subsídios era uma das principais medidas do pacote acertado com o País para adiar por 60 dias a retaliação contra produtos americanos autorizada pela Organização Mundial de Comércio (OMC). Para conseguir mais prazo para adequar seus subsídios às regras internacionais, os EUA se comprometeram a suspender o GSM, estabelecer um fundo de compensação de US$ 147 milhões por ano para os produtores de algodão, e agilizar a abertura do mercado americano para a carne suína brasileira. O fundo já foi estruturado, mas não foram depositados recursos. A abertura de mercado para as carnes está em fase de consulta pública.

A notícia da retomada do GSM pegou de surpresa os agricultores. O entendimento deles era que o programa seria retomado depois que Brasil e EUA fechassem acordo sobre alta dos juros e redução dos prazos para os empréstimos. O GSM não vale só para o algodão, mas para várias commodities.

O Itamaraty informou que as negociações sobre as regras do GSM ainda vão ocorrer. "Não houve quebra de acordo entre os dois países", disse o principal negociador do Brasil e embaixador em Genebra, Roberto Azevedo. "A parte mais difícil das negociações começa agora." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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