Informação para você ler, ouvir, assistir, dialogar e compartilhar!
Tenha acesso ilimitado
por R$0,30/dia!
(no plano anual de R$ 99,90)
R$ 0,30/DIA ASSINAR
No plano anual de R$ 99,90

EUA também duvidam da inflação oficial na Argentina

O índice de inflação de janeiro da Argentina, de somente 0,9% segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), provocou uma onda generalizada de desconfiança não só na Argentina, mas também no resto do mundo. O índice, sobre o qual pesam denúncias de manipulação supostamente ordenadas pelo governo argentino, foi alvo de críticas do Departamento de Estado dos EUA, em um relatório divulgado na sexta-feiraO documento ressalta que, embora as estatísticas oficiais afirmem que em 2007 a inflação argentina foi de 8,5%, o índice "estimado por analistas independentes é mais alto". Segundo associações de consumidores, empresários, partidos da oposição e economistas, a inflação do ano passado oscilou entre 18% e 25%.O índice de janeiro, anunciado na sexta-feira, é significativamente inferior ao calculado por economistas independentes, empresários, associações de consumidores e os analistas dos partidos da oposição, além dos funcionários dissidentes do Indec, que recusam-se a aceitar os números oficiais da inflação. Em média, segundo eles, a inflação do primeiro mês deste ano foi de 2%.CríticasO relatório também critica as "pressões sobre o setor privado para limitar os aumentos de preços por meio de acordos de estabilização de preços, o adiamento da renegociação dos contratos dos serviços públicos depois da crise, os impostos sobre as exportações e a proibição de algumas exportações".Além disso, o relatório também critica a falta de investimentos substanciais em nova infra-estrutura e ressalta que os apagões de energia elétrica são provocados, por um lado, pelo alto crescimento da economia, mas também, devido "ao fato de que o governo manteve os preços de energia abaixo dos níveis dos mercados internacionais".No entanto, apesar das críticas, o relatório sustenta que a relação bilateral entre os EUA e a Argentina "é positiva". O relatório também indica que o país teve uma "robusta recuperação econômica", que permitiu até agora cinco anos de crescimento do PIB de 8%.O clima de desconfiança sobre os índices de inflação teve efeitos negativos na cotação dos bônus argentinos que são corrigidos de acordo com a alta de preços (42% do total da dívida pública argentina). Esses títulos, entre a quinta e sexta-feira registraram quedas de até 3,2%. Segundo o ex-Secretário de Finanças, Daniel Marx, a queda dos bônus está relacionada com o anúncio de um índice de inflação inferior ao esperado.

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE, Agencia Estado

10 de fevereiro de 2008 | 16h38

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.