EUA têm novo 'boom' de abertura de capital

Número de empresas que estrearam na bolsa no início do ano é o maior desde 2000

ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, CORRESPONDENTE NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

12 de março de 2014 | 02h14

Os Estados Unidos estão passando por um novo boom de aberturas de capital (IPO, na sigla em inglês). Mesmo com a recente turbulência nos mercados emergentes e com a crise na Ucrânia, o número de empresas que estrearam na bolsa nos primeiros dois meses deste ano é o maior desde 2000, época conhecida pelo estouro da bolha da internet.

Além disso, várias companhias estão na fila para lançar ações nos próximos meses. Só esta semana, mais quatro chegam a Wall Street. Ao todo, 42 empresas fizeram IPO entre janeiro e fevereiro deste ano, captando US$ 8,3 bilhões, mostra um estudo da Dealogic, o dobro do mesmo período do ano passado. O número só perde para as cerca de 80 companhias que abriram o capital no começo de 2000.

Na última década, apenas o início de 2007, ano que seria seguido pela crise financeira mundial de 2008, teve volume de ofertas de ações parecido com o começo de 2014. O boom recente de ofertas de ações começou em meados de 2013, com as bolsas batendo níveis recordes de alta, e se acelerou no começo deste ano.

Sinal amarelo. A comparação com os níveis de dois períodos que desencadearam crises no mercado - o estouro da bolha de internet em 2000 e a crise das hipotecas em 2008 - tem ligado a luz amarela em Wall Street. Na semana passada, por exemplo, o presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) de Dalas, Richard Fisher, declarou estar preocupado com o nível alcançado por alguns indicadores das bolsas e disse que o Fed precisa monitorar as ações mais de perto.

Alguns especialistas argumentam que as aberturas de capital neste ano são de empresas mais sólidas do que as registradas em 2000. Naquele ano, com o aparecimento das companhias de internet, muitas chegavam ao mercado acionário ainda como projetos. Mas um levantamento do professor de finanças da Universidade da Flórida, Jay Ritter, mostra que 75% das companhias que fizeram IPO este ano não são lucrativas.

O professor afirmou ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, que não vê uma bolha no mercado acionário dos EUA como um todo, embora alguns segmentos, como o de biotecnologia e redes sociais, estejam com ações muito valorizadas. Ritter argumenta que os indicadores de preço/retorno (PE, na sigla em inglês) das ações estão com números um pouco acima das médias históricas, mas ele chama atenção também para o fato de as taxas de juros nos EUA estarem muito baixas desde 2008. Na avaliação dele, se houver uma correção de preços, seria mais no mercado de bônus.

A medida favorita do megainvestidor Warren Buffet para ver se o mercado acionário já subiu demais é a análise da relação entre a capitalização das bolsas (o valor das empresas medido pelos preços de suas ações) e o PIB. Nesta análise, sempre que o número passar de 100% é motivo de preocupação. Hoje, esse indicador está na casa dos 115%. Em 2000, antes da bolha de internet estourar, o índice estava em 183%. Em 2007, era de 135%.

Somente nesta semana, quatro novas companhias devem chegar ao mercado e mais de 20 empresas devem estrear na bolsa em breve.

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