EUA terão juro zero ao menos até 2015

Fed, o banco central do país, inova e afirma que taxa básica só voltará a subir quando desemprego cair para 6,5%, ante os 7,7% de hoje

WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

13 de dezembro de 2012 | 02h03

O Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) surpreendeu - e também agradou - o mercado financeiro global ao informar que manterá a taxa de juros em níveis historicamente baixos até pelo menos 2015. O BC americano foi além: informou que os Fed Funds só voltarão a subir quando o desemprego baixar para 6,5% (dos atuais 7,7%), desde que a inflação anual fique em, no máximo, 2,5%.

Segundo o presidente do Fed, Ben Bernanke, a nova orientação torna o processo político mais transparente e previsível. Muitos no mercado concordam. "Em um caminho saudável, isso significa o retorno de como a política monetária deveria ser guiada, ou seja, com base nos fundamentos econômicos", afirmou o diretor do TD Securities em New York, Matthew Alexy.

O Fed também informou que estenderá para 2013 seu programa de compra de bônus. A ideia é manter a compra de títulos de agências lastreados em hipotecas ao ritmo de US$ 40 bilhões por mês. O Fed também vai comprar títulos do Tesouro de prazos mais longos no total de US$ 45 bilhões/mês.

Segundo Bernanke, a capacidade do Fed de fornecer ajuda à economia não é ilimitada. Por isso, argumentou, "é bom fazer mais agora para estimular a economia do que deixar para depois". Mas ele lembrou que o Fed "inovou bastante nos últimos anos", dando a entender que outras ferramentas de estímulo poderiam ser desenvolvidas, já que os juros estão próximos de zero e o balanço patrimonial deve ser recorde nos próximos anos.

Para alguns analistas, a decisão pode significar um fluxo maior de entrada de dólares nos mercados emergentes, como o Brasil. "Os mercados terão muito mais liquidez", disse o analista, Durval Correa, da Multi-Money. Ontem, o dólar perdeu 0,29% em relação ao real, cotado a R$ 2,074.

O Fed informou que a economia americana continua a crescer em "ritmo moderado" e reconheceu que a taxa de desemprego tem caído desde o meio do ano, mas continua elevada. A autoridade monetária registrou também que a inflação tem permanecido "um pouco abaixo" da meta de 2% ao ano.

As autoridades do Fed optaram por manter a taxa de juros próxima a zero, onde tem permanecido desde o fim de 2008. "Para determinar por quanto tempo manter a política monetária acomodatícia, o Fomc (Comitê de Mercado Aberto do Fed) vai considerar também outras informações", disse o comunicado do Fed, o que inclui o mercado de trabalho, a inflação e outros acontecimentos financeiros.

O presidente do Fed de Richmond, Jeffrey Lacker, votou contra a ação do Fomc por "se opor ao programa de compra de ativos e à caracterização das condições sob as quais será apropriado manter a baixa taxa de juros". Lacker foi o dissidente em todas as oito reuniões do Fed este ano.

Abismo fiscal. Bernanke disse que, se os EUA caírem no chamado abismo fiscal, a economia será prejudicada de maneira que o banco central não pode controlar. O presidente do Fed, que cunhou o termo "abismo fiscal" para se referir aos aumentos de impostos e cortes de gastos automáticos que entrarão em vigor no começo de 2013 caso não haja um acordo com o Congresso, disse não acreditar que a instituição tenha as ferramentas para amenizar os efeitos de tais medidas.

"Nós temos de moderar as expectativas do que podemos fazer", comentou. Segundo ele, embora o Fed possa aumentar as compras de ativos "um pouco", o banco central não pode compensar totalmente os efeitos do abismo fiscal. Bernanke disse também que os receios com o abismo fiscal já estão afetando as decisões de investimento e contratação das empresas.

"Claramente isso é um grande fator de risco e uma grande fonte de incertezas sobre a economia", comentou. O presidente do Fed disse suspeitar que seus companheiros do banco central, ao fazerem suas projeções para crescimento, inflação e desemprego, assumiram que o abismo fiscal será resolvido "de alguma forma intermediária", o que ainda prejudicaria a economia em alguma extensão. Ele disse também esperar que o Congresso "faça a coisa certa" em relação ao abismo. / DOW JONES NEWSWIRES

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