Eucatex não citou problemas no balanço de 2002

O balanço de 2002 divulgado pela Eucatex em 31 de março não faz menção à situação financeira da companhia, nem apresenta ressalvas do auditor independente, a PricewaterhouseCoopers. A empresa anunciou na quarta-feira que pediu concordata preventiva no Fórum de Salto (SP) por estar sendo pressionada pelos credores e ter sofrido com a desvalorização do real de mais de 250% desde 1999.O balanço de 2002 mostra que a companhia registrou prejuízo de R$ 33,4 milhões, 57,4% menor do que no ano anterior. A receita líquida subiu 11,3%, para R$ 414,7 milhões. A empresa alega, em comunicado à imprensa sobre o pedido de concordata, que "as receitas e resultados operacionais crescentes da empresa vêm sendo engolidos pelas despesas financeiras em volume cada vez maior, mais de R$ 400 milhões nos últimos anos".O advogado Nelson Marcondes Machado, especializado em concordatas e falências, disse que o sucesso do pedido de concordata da Eucatex dependerá basicamente do perfil da dívida da companhia. "A concordata só tem efeito sobre os débitos quirografários, ou seja que não apresentam garantias reais", disse. "Com a concordata, a empresa ganha dois anos para pagar essas dívidas."Procurada pela Agência Estado, a empresa, que tem entre os sócios o ex-prefeito de São Paulo, Paulo Maluf, e familiares deles, informou que não comentará o pedido de concordata. As transações com as ações da companhia estão suspensas pela Bovespa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.