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Eufemismos e incertezas

Este 2015 começou com importantes mudanças na política econômica e novas incertezas. Mas os novos passos estão sendo dados na direção certa. A mudança começa no discurso. Algumas expressões tentam disfarçar a nova distribuição de contas para a população.

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

18 de janeiro de 2015 | 02h04

"Tarifaço", por exemplo, não pode; tem de ser "realismo tarifário" - embora não tenha ficado clara a diferença prática entre os termos nem sido informado por que não vale para a gasolina. Com a exceção do sempre oportunista e às vezes desastrado ministro Aloizio Mercadante, nenhuma autoridade ousa agora falar em "política anticíclica", expressão símbolo do fracasso do primeiro governo Dilma. A hora é de "ajuste". Também não se deve dizer "reajuste de preços". A expressão pretendida é "realinhamento". Tem a criação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin: não há racionamento de água; há "restrição hídrica".

São eufemismos que seguem a onda do politicamente correto. Também não se pode mais dizer "samba do crioulo doido". As novas regras exigem troca para algo como "expressão musical de afrodescendente portador de certa síndrome de distúrbios mentais".

O principal conjunto de incertezas herdado de 2014 foi o descontrole das contas públicas, a recessão econômica, o estouro da inflação para além do teto da meta, o risco de novo apagão no suprimento de energia elétrica, a ameaça de perda do grau de investimento dos títulos de dívida do Brasil e o descontrole das finanças da Petrobrás.

Nada disso está equacionado. Mas há notável mudança de rumos. Os tempos do experimentalismo, da gastança federal - para acertar quando der -, das pedaladas fiscais e dos represamentos dos preços administrados parecem ter ficado para trás. No seu lugar entrou o tempo da austeridade, os eufemismos apontados acima e o cultivo da transparência para garantir o retorno da confiança.

Há novas incertezas que exigem tratamento e continuam deixando o governo sem saber por onde começar. A maior delas tem a ver com o desabamento dos preços das commodities (50% das exportações brasileiras) e com o derretimento das cotações do petróleo, que no Brasil coloca em risco a viabilidade do pré-sal e do etanol. Mas há outras.

O fim dos subsídios e os sucessivos adiamentos da distribuição da conta a pagar deverão aumentar os preços da energia elétrica em alguma coisa entre 30% e 40%. Quando os reservatórios se recompuserem, as usinas termoelétricas poderão voltar para o banco de reservas e as tarifas, serem derrubadas. Mas não há perspectiva de que isso aconteça em 2015. Para as indústrias eletrointensivas - aquelas que usam muita energia elétrica -, como os setores dos metais não ferrosos (alumínio, cobre, zinco, etc.), cerâmica, vidro e química básica, pode ficar mais interessante importar o produto acabado do que fabricá-lo aqui no País.

A principal incerteza é de natureza política. As bases de sustentação do governo Dilma parecem frágeis. Não se conhece o impacto que as denúncias da Operação Lava Jato produzirão entre os políticos. Parece inevitável o aumento das pressões por afrouxamento dos controles fiscais à medida que o aperto dos cintos começar a produzir efeito e, inevitavelmente, algum desemprego. A conferir.

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