Euforia das bolsas pode durar pouco

Na semana passada, a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas do setor de tecnologia - registrou três de suas maiores altas diárias nos 29 anos de história da bolsa eletrônica. De acordo com reportagem publicada pelo The Wall Street Journal, o ganho foi de quase 19%. Há pouco tempo isso seria considerado bastante para um ano inteiro. Não se pode esquecer que a Nasdaq também tem batido recordes de quedas violentas, e ainda permanece em baixa de 6,3% no ano. A euforia dos investidores foi provocada pela divulgação do último relatório sobre o aumento do desemprego nos Estados Unidos. Na lógica invertida de Wall Street, que espera ansiosamente pelo desaquecimento da economia, essa é uma boa notícia. Douglas Cligott, estrategista do J.P. Morgan, não está seguro se a boa fase vai durar. Ned Davis, dono de uma firma de pesquisa da Flórida, tem a mesma opinião. Davis acredita que o otimismo se origina de uma desaceleração da economia provocada pelo aumento dos juros, pela diminuição da demanda no consumo e por um mercado de ações em baixa. "É apenas uma questão de tempo para que as vendas de carro e varejo comecem a se aquecer", diz Henry Herrmann diretor de investimentos da Waddell & Reed, uma firma de fundos mútuos. No mercado interno, operadores ainda analisam com cautela o movimento da Bolsa No Brasil, os analistas também observam com cautela o otimismo do mercado acionário, tanto no cenário externo quanto no doméstico. Para esses profissionais, ainda é cedo para ter certeza de que há, de fato, um movimento de desaceleração suave na economia dos EUA. Eles acreditam que é necessário aguardar dados sobre demanda e produtividade para que se avalie melhor os efeitos das elevações dos juros pelo banco central norte-americano (Fed). De qualquer forma, se o bom desempenho do mercado acionário fosse sinal de que a taxa de juros nos Estados Unidos vai parar de subir, a notícia seria boa para economias emergentes. Isso porque taxas menores nos EUA são um atrativo a menos para que o capital investido em economias menores migrem para a segurança dos títulos americanos.

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