Euro completa 10 anos em expansão

Eslováquia adota a moeda única hoje; Dinamarca e Islândia têm interesse

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

31 Dezembro 2008 | 00h00

A segunda mais importante moeda do mundo, o euro, completa hoje 10 anos de existência se expandindo e se valorizando. A divisa passa a partir de hoje a circular na Eslováquia, o 16º membro da União Europeia a incorporá-la, ampliando seu mercado para 329 milhões de pessoas. Enquanto segue sua ampliação para o Leste, a zona euro - detentora de 16,5% da riqueza mundial - encerra o ano da turbulência financeira ganhando em média 12% no câmbio. Embora não marque o início da circulação das moedas e notas de euro - que ocorreu de forma paulatina a partir de 2002 -, o 1º de janeiro de 1999 transformou as divisas nacionais em simples subdivisões da nova unidade monetária, desde então usada como referência nas finanças públicas e nos negócios. Uma década depois, economistas e cientistas políticos ainda se questionavam sobre a resistência da moeda a choques externos. Para a maior parte, a resposta está dada: em um ano de crise, de acordo com levantamento do Banco da Inglaterra, o euro se valorizou 12% diante de uma cesta composta pelas 14 mais importantes divisas. Na semana passada, a moeda continuava a ganhar valor diante do dólar, do iene e da libra esterlina - sobre a qual teve alta de 30% no ano. "Nesse período de crise, o euro protege as empresas contra a volatilidade das taxas de câmbio que lhes tinha prejudicado em fases de recessão precedentes", argumentou o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso. Analistas concordam que o euro se tornou uma segurança contra a turbulência. "Sem o euro, haveria um caos monetário incrível na Europa neste momento, com no mínimo cinco ou seis desvalorizações e uma competição monetária que ameaçaria o mercado único", diz Jean-Dominique Giuliani, presidente da Fundação Robert Schuman. "O euro permite à Europa resistir aos choques econômicos, como a atual crise financeira, sem tensões internas sobre os trocas. A moeda única tornou-se uma referência internacional", diz o economista Jean Pisani-Ferry, diretor do centro de estudos Bruegel, de Bruxelas. Mesmo que tenha como efeito colateral agravar o risco de deflação e prejudicar as contas de comércio exterior da Europa, a valorização em um período de crise faz com que a moeda volte a se tornar desejada na União Europeia. NOVO USUÁRIO A partir de hoje, a Eslováquia abandona a coroa, ampliando em 5,4 milhões de habitantes a região do euro. O sinal verde de Bruxelas veio com o cumprimento de quatro critérios: déficit inferior ao estabelecido no Pacto de Estabilidade - de 3% do PIB, menos de 30% da riqueza nacional em 2009; taxa de juros de no máximo 4,5%, 2% abaixo do teto de referência; câmbio flutuante; e inflação sob controle, de 2,2%. O cronograma de alargamento da zona euro continuará em 2010 com a adesão da Lituânia, seguida em 2011 da Letônia, da Hungria e da Polônia. Devem adotá-la ainda a República Checa, a Romênia, a Bulgária e a Estônia. Mas não será surpresa se em meio a estes países forem anunciadas novas inclusões na Europa Ocidental. Em profunda depressão, a Islândia ameaça até mesmo incorporar de forma unilateral o euro, ou seja, passar a usá-lo sem a autorização da União Europeia. Dinamarca e Suécia, dois países-membros que haviam optado por não compartilhar a divisa em 1999, também têm planos concretos de se unir à região. Já o Reino Unido promete continuar apegado à libra esterlina.

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