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Euro excessivamente forte

PARIS - O diretor do Banco Central Europeu (BCE), o italiano Mario Draghi, não costuma fazer declarações com frequência. E essa parcimônia lhe confere uma grande força. Ele as fez no sábado, num coletiva à imprensa em Washington. Com sua voz suave, ele pronunciou algumas frases um pouco complicadas, e, ontem de manhã, o euro, a moeda única europeia, caiu nos mercados europeus.

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2014 | 02h05

O que foi que ele disse? "Um aumento da cotação do euro precisaria de um maior estímulo monetário". Isso significa que o atual vigor do euro fragiliza o crescimento da zona do euro. Trata-se de uma pequena revolução, porque, até este momento, o BCE de Frankfurt e Mario Draghi eram os únicos verdadeiros responsáveis pela valorização do euro.

Como explicar a reviravolta de Draghi? Pela astenia da economia do Velho Continente. Enquanto nas outras zonas a retomada é concreta e o desemprego diminui, a zona do euro continua fraca. A taxa do desemprego chega a 11%. O crescimento é apático.

Apesar desses índices negativos, a moeda comum não cessa de se valorizar. No decorrer dos últimos 12 meses, o euro recuperou 6% em relação ao dólar, e 9% em relação ao iene. Atualmente, o euro vale US$ 1,4 . São notórios os inconvenientes de uma moeda demasiado forte: nos setores de mais-valia fraca, ela pune as exportações.

Como explicar essa alta insolente do euro? Em grande parte, ela se deve à debilidade da inflação. Os preços sobem muito pouco na zona, 0,5% ao ano, cifra insignificante e que aliás infringe as especificações do BCE, pois se exige desse organismo que mantenha a inflação da zona em 2% ao ano.

Sabemos de fato que a inflação fraca tem como consequência frear as compras e, portanto, paralisar a atividade econômica e reduzir o crescimento. E, se passarmos da inflação fraca para a deflação (a queda dos preços), correremos o risco de uma crise maior, que bloqueará completamente o dinamismo e da qual levará muito tempo sair, além de difícil e perigoso (é o caso do Japão, que luta há uns 15 anos contra os calamitosos desgastes da deflação). Um euro demasiado valorizado prejudica particularmente os países do sul da zona do euro (da Itália à Grécia) que lutam pelo desendividamento dos setores privado e público.

Desse modo, com muito atraso, o BCE, que é tremendamente dogmático, enfim abre os olhos para os problemas do euro: o culto quase doentio de uma inflação fraca e o prazer inveterado de um euro forte, enquanto, há muito tempo, alguns economistas e mesmo alguns jornalistas davam o alarme. Evidentemente, alguns dirão que esses argumentos são talvez um pouco difíceis de entender, mas bastou que o BCE pusesse os olhos sobre dois países ocidentais que têm o hábito de recomprar enormes quantidades de títulos públicos e cujas taxas de crescimento são muito mais elevados do que os da zona do euro: os Estados Unidos e a Grã-Bretanha.

Contudo, uma vez feito o diagnóstico, resta encontrar a coragem de tirar as consequências, façanha delicada porque estas medidas são complexas e às vezes perigosas. Em suma, trata-se de injetar liquidez nas economias a fim de compensar o efeito deletério da austeridade orçamentária sobre o dinamismo econômico.

Uma medida clássica do BCE consistiria em baixar sua taxa de referência. Mas esta já é muito baixa (0,25%). É preciso pois procurar meios mais refinados, menos clássicos. Por exemplo, poderiam ser aplicadas taxas negativas aos depósitos dos bancos no BCE. Alguns preconizam também que se facilite a distribuição do crédito bancário, ou que se comprem grandes quantidades de títulos públicos da zona do euro.

TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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