Antonio Bronic/Reuters
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Euro atinge paridade com o dólar pela primeira vez desde 2002, mas depois volta a se valorizar

Resultado ocorreu após divulgação de indicador fraco relativo à economia da Alemanha, que reforçou os temores sobre uma recessão este ano na zona do euro  

Sergio Caldas*, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2022 | 08h05
Atualizado 12 de julho de 2022 | 10h19

O euro, a moeda comum da União Europeia, atingiu na manhã desta terça-feira, 12, a paridade com o dólar pela primeira vez desde 2002, após a divulgação de um indicador fraco sobre a economia alemã. A cotação de 1 para 1, no entanto, não durou muito, e o euro se recuperou levemente - às 8h40, era cotado a US$ 1,0046.  

O dado que derrubou o euro para o mesmo patamar do dólar foi o índice de expectativas econômicas da Alemanha, que caiu de -28 pontos em junho para -53,8 pontos em julho, segundo o instituto alemão ZEW. O resultado é pior do que o esperado por analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que previam queda do indicador a -41 pontos.

Para o banco Morgan Stanley, a forte queda desse indice reforça a perspectiva de uma recessão técnica no país e na zona do euro a partir do quarto trimestre, bem como expõe desafios estruturais para a economia alemã.

Segundo o banco americano, tanto o país quanto o bloco monetário entrarão em recessão no fim deste ano mesmo se a Rússia n]ao cortar completamente as entregas de gás natural à Europa, uma vez que mais interrupções são esperadas nos próximos meses.

"As entregas já foram reduzidas em 60% até meados de junho, levando a um aumento nos preços do gás, que está apertando cada vez mais tanto as rendas residenciais quanto os consumidores industriais - e, consequentemente, levou a uma queda acentuada no índice de condições atuais do ZEW", relata.

De acordo com o banco Citi, a queda da moeda europeia tem impacto direto da fragilidade da oferta de gás natural na Europa, após a Rússia reduzir o fornecimento da commodity a países da região em função das sanções que sofreu com a guerra na Ucrânia.

Os desenvolvimentos no mercado de energia europeu contribuem para a perspectiva de recessão na zona do euro, o que obrigará o Banco Central Europeu (BCE) a ter de equilibrar os temores inflacionários com os de recessão. "Isso pesará em moedas pró-cíclicas como o euro, a libra esterlina, a coroa sueca e muitas moedas de países das regiões Leste e Central da Europa", diz o ING. 


*Com Dow Jones Newswires

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