Euro sairá mais forte da crise, diz banqueiro

Presidente do BNP Paribas adverte, no entanto, que a França terá de colocar contas em ordem

FÁBIO ALVES, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2011 | 03h04

O euro emergirá mais forte da crise da dívida mas os governos têm de agir rapidamente para colocar em prática os seus planos, disse o presidente do banco francês BNP Paribas SA, Baudouin Prot.

"Estamos convencidos de que o euro sairá mais forte da crise", disse Prot em entrevista ao jornal italiano Il Sole 24 Ore, publicada neste domingo.

Prot também contemporizou a ameaça de rebaixamento da classificação de risco AAA da França, dizendo:

"A vida seguirá em frente mesmo depois das decisões da agência de rating".

"A coisa importante é que a França faça o que se exige em termos de colocar suas contas em ordem e garantir o crescimento econômico", afirmou Baudouin Prot.

Referindo-se à reunião de cúpula da União Europeia (EU) no início deste mês, na qual todos as nações membros da UE, com exceção do Reino Unido, concordaram em elaborar um pacto severo com penalidades para garantir reduções de déficits orçamentários e da dívida,

Prot enfatizou a urgência do pacto.

Cenário frágil. "O acordo em Bruxelas é positivo e importante mas é mais ainda importante que as decisões sejam implementadas rapidamente. O cenário permanece frágil e novas caídas são possíveis", disse Prot.

Prot também condenou o acordo voluntário para que os bancos tenham um corte de 50% no valor da dívida pública grega em suas carteiras para reduzir a dívida daquele país.

"A redução no valor da dívida foi uma ideia terrível a qual terá um impacto forte em termos de falta de confiança dos investidores", afirmou.

"É muito desagradável, essa parte (do acordo) ainda não foi concluída, e é inaceitável que algumas pessoas estejam tentando elevar o valor da redução da dívida grega para 80%", disse.

O BNP Paribas é um dos maiores bancos na zona do euro. / COM DOW JONES NEWSWIRES

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